Viagens de Lula ao exterior buscam prestígio e atração de investimentos, diz professor

O primeiro ano do terceiro mandato de Lula como presidente da República foi marcado pelo número de viagens internacionais. Foram 15 viagens para mais de 20 países diferentes. Ao todo, dos 365 dias do ano, o presidente passou 62 fora do país, o que rendeu críticas de opositores.

A primeira viagem de Lula após assumir a presidência, em 1º de janeiro de 2023, foi para a Argentina, entre os dias 22 e 25 de janeiro, onde se reuniu com o então presidente Alberto Fernández e participou da VII Cúpula de Chefes de Estado da Celac, órgão que reúne representantes de países da América Latina e do Caribe.

A última, foi para participar da COP-28, em Dubai, nos Emirados Árabes. Na ocasião, Lula também passou pela Arábia Saudita, Qatar e Alemanha.

Para o professor de Relações Internacionais, Danny Zahraddine, a presença do presidente em fóruns internacionais é essencial e Lula se pautou na estruturação de três pilares internacionais neste ano.

“Uma delas é manter as boas relações com os Estados Unidos, então, a viagem que ele fez aos Estados Unidos é essencial. A segunda: a viagem à China, também essencial, porque é a potência em ascensão e o maior mercado que o Brasil tem hoje e, por fim, as viagens ao Sul global, América Latina, África, porque aí ele fecha três vetores. A África, Ásia, América Latina são mundos em ascensão”, explica o especialista.

A viagem aos Estados Unidos ocorreu entre 9 e 11 de fevereiro, quando Lula se reuniu com o presidente norte-americano Joe Biden para discutir as relações entre os dois país e temas como aquecimento global, o desmatamento da Amazônia e a guerra entre Rússia e Ucrânia.

A visita à China ocorreu dois meses depois, quando o presidente visitou Xangai e Pequim para participar da cerimônia de posse da ex-presidente Dilma Rousseff na presidência do Banco dos Brics. Lula também se reuniu com autoridades chinesas, como o presidente Xi Jinping, além de participar da cerimônia de deposição de Flores no Monumento Heróis do Povo, na Praça da Paz Celestial.

O professor diz, ainda, que as viagens internacionais também servem para que o Brasil tente conquistar novos mercados, por meio da formalização de acordos comerciais.

“Ele precisa de vender o aço, o suco de laranja, de estimular o desenvolvimento do Brasil, para que o dólar caia, porque precisa de mais investimento, para aí sim anunciar novas pontes, novos postos de saúde, unidades habitacionais”, avalia.

“Hoje, nós vivemos um mundo que se chama interméstico – é o internacional com o doméstico. Ninguém fica isolado mais, é necessário atrair muito dinheiro, exportar, porque se nãop exportamos e não atraímos dinheiro, nós não vamos conseguir criar empregos, combater a inflação. É importante calibrar, é necessário que ele viaje o Brasil, o presidente da República visite as grandes e as pequenas cidades, as unidades da federação, mas é essencial a promoção internacional do Estado”, completa.

A atuação brasileira no cenário internacional também foi marcada pela tentativa de mediação de conflitos, como a Guerra entre Rússia e Ucrânia – quando Lula tentou convencer outros líderes globais a criar uma mesa de negociação para a negociação da paz entre Vladmir Putin e Volodymir Zelensky. E, mais recentemente, na tentativa de mediação da tensão entre a Venezuela e a Guiana, na disputa do território de Essequibo.

Para Zahraddine, como potência regional, o Brasil deve se colocar como protagonista nas discussões pela paz na América Latina. E que, com esse tipo de atuação, o governo brasileiro busca aumentar seu prestígio junto à comunidade internacional.

“Isso traz prestígio e hoje em dia isso é mais forte ainda. Se você tem prestígio internacional, você se torna um ator em que os outros confiam. Essa é a busca do Brasil”, explica.

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