A tarja preta da FDA foi colocada como um aviso quantos aos riscos cardiovasculares, tromboembolismo e câncer de mama publicados em 2002 no famoso e polêmico estudo WHI (Women´s Health Iniciative). Esse estudo é bem polêmico e cheio de viés, em que por muito tempo acreditou ser a reposição hormonal (TH) o responsável pelo aumento da incidência dessas doenças na mulher em uso de reposição hormonal.
O problema é que a população em que foi realizada o estudo, bem como a formulação hormonal (especificamente um tipo de TH) e tempo de uso não foram bem selecionados, a grande maioria das mulheres, estavam com mais de 63 anos, muitas com mais de 10 anos pós-menopausa. Equivocadamente esse estudo, apesar de ter sido realizado em uma população específica e com uma combinação específica de medicação, erroneamente, generalizou seus achados.
Após anos, e vários outros estudos, revisões da literatura, dados mais recentes indicam que os riscos dependem da via de administração, da janela de tratamento (tempo do início dos sintomas e da menopausa), e é claro da saúde geral e hábitos de vida da mulher.
A FDA foi incisiva: “para mulheres que iniciam no momento correto, os benefícios podem superar os riscos”.
Mas quais evidências mudaram os dados? Iniciar a terapia em até 10 anos após a menopausa pode reduzir a mortalidade global, e pode ser iniciada já na fase do climatério, em que ainda há menstruação mas os sintomas estão presentes.
Não houve aumento significativo da mortalidade pelo câncer de mama, mesmo nas mulheres de útero em que é usado estrogênio isoladamente.
Além da redução dos fogachos, as ondas de calor, há melhora da qualidade óssea, reduzindo a mortalidade global por fraturas, sendo o melhor tratamento medicamentoso para prevenir osteoporose na mulher, melhora a qualidade do sono, sexualidade e dados que indicam melhora da saúde cardiovascular, com redução do risco em até 50%, e função cognitiva, com redução de Alzheimer em 35%.
O impacto dessa nova publicação pode aumentar a adesão ao tratamento, ajudando muitas mulheres a melhora a qualidade de vida. Nos alerta para a individualização de qualquer tratamento médico: “risco para todas”, é diferente do “risco individualizado”.
A ciência evolui, e essa decisão corrige décadas de desinformação, demonstrando que terapia hormonal, quando bem indicada, pode recuperar seu lugar no cuidado feminino, como prioridade na mulher no meio da vida, ainda mais num país como o Brasil, em que aproximadamente 90% das mulheres têm pouco ou nenhum conhecimento sobre a TH.