Em 2024, o setor de latas de alumínio teve uma alta histórica de crescimento. Foram comercializados cerca de 34,8 bilhões de unidades, sendo o Brasil o terceiro maior mercado mundial dos produtos.
Diante do cenário otimista, uma decisão vinda da Casa Branca, em Washington, altera a previsibilidade dos lucros para os próximos meses e para este ano. Em março deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou em vigor um decreto que impõe tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio.
Para o presidente da Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas), Cátilo Cândido, o decreto de Trump, a curto prazo, deixa o cenário “nebuloso”. Ele acredita que a falta de “previsibilidade” afeta os investimentos, mas acredita que a alta na competitividade pode ser benéfica para o setor. “É preciso olhar sempre pelo outro lado. Uma obrigação, um tema de casa que fica para a nossa indústria, é a busca por mais competitividade”, disse à Itatiaia.
De acordo com Cândido, esse foi um dos pontos discutidos com o governo federal e, em especial, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). “Ele nos recebeu de forma harmoniosa para realmente conversar um pouquinho mais sobre competitividade, como nós podemos diversificar os parceiros e abrir novas frentes comerciais”, afirmou.
Segundo as previsões do presidente da Abralatas, o cenário ainda é “incerto”, embora a indústria de latas do Brasil tenha exportações “mínimas” para os EUA. “Não nos afeta diretamente, mas como qualquer outra indústria, temos cautela já que o cenário é volátil”, finalizou.
Taxações de Trump
O Brasil foi um dos países afetados pela taxação das importações de aço e do alumínio. De acordo com dados do Anuário da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), em 2024, a indústria nacional exportou US$ 796 milhões (R$ 4,5 bilhões na atual cotação) para os EUA — 14% do total das exportações do setor. Houve um aumento de 16% em relação a 2023, quando foram exportados US$ 685 milhões (R$ 3,9 bilhões) — 15% do total das exportações.
Variedade de bebidas impulsiona crescimento
De acordo com a Abralatas, um dos fatores que proporcionaram o crescimento foi a variedade de produtos. Além de refrigerantes, chás e bebidas alcoólicas, por exemplo, o aumento no consumo de águas em latas alavancou os números. Outros fatores como ondas de calor e diversidade nos modelos —especialmente o conhecido como “latão”, de 473 ml — também ajudaram.