Pilotos da Japan Airlines não viram avião da Guarda Costeira antes da colisão

Os pilotos do avião da Japan Airlines (JAL) não viram a aeronave da Guarda Costeira com a qual colidiram na pista do Aeroporto Internacional de Tóquio, em Haneda, no Japão, informou a companhia aérea nessa quarta-feira (4).

Uma bola de fogo irrompeu do avião e as chamas se espalharam pelo restante da aeronave, causando pânico nos passageiros.

Os três pilotos inicialmente não perceberam o incêndio e só ficaram sabendo após o aviso dos assistentes de voo, disse um porta-voz da JAL.

Os comandantes disseram que não fizeram “contato visual” com o outro avião, embora um deles tenha observado “um objeto” um pouco antes do impacto.

A tripulação precisou evacuar os 379 passageiros do Airbus A350 da JAL em questão de minutos, na terça-feira (2), antes das chamas consumirem a aeronave.

No final, ninguém a bordo morreu. Apenas dois passageiros sofreram ferimentos, como hematomas e torções de membros, disse a JAL.

Vítimas

Os seis ocupantes do turboélice da Guarda Costeira, incluindo o piloto, morreram com a explosão causada pela colisão.

O avião ia levar suprimentos para as vítimas do terremoto de magnitude de 7,6 que atingiu o Japão na segunda-feira, 1º de janeiro.

A aeronave da Guarda Costeira estava cheia de combustível, o que influenciou na explosão causada pela batida.

Os pilotos da Japan Airlines só sentiram o impacto após a aterrissagem, quando o trem de pouso tocou a pista, disse o porta-voz da companhia.

O chefe dos comissários de bordo relatou o fogo à cabine de comando e pediu permissão para abrir as saídas de emergência.

Nesse momento, a aeronave estava cheia de fumaça, com bebês chorando e passageiros implorando para sair, conforme as imagens divulgadas na internet.

Tensão

O Airbus A350 tem oito saídas de emergência, mas a evacuação foi feita com apenas dois tobogãs na frente da aeronave.

A JAL informou que havia apenas uma saída adicional, na parte traseira, que estava protegida do fogo. No entanto, a comunicação interna da aeronave falhou e os pilotos não autorizaram o seu uso.

Conforme são treinados, os comissários liberaram a saída pela porta traseira, sem a permissão do comandante, por considerar a situação urgente.

O avião levou 18 minutos para evacuar todos os passageiros, sendo o piloto o último a sair.

Logo depois, a fuselagem do avião foi ‘engolida’ pelo fogo e os bombeiros levaram oito horas para apagar totalmente as chamas.

“Os passageiros parecem ter seguido as instruções (de segurança) ao pé da letra”, comentou Terence Fan, um especialista da indústria aérea, à AFP sobre o sucesso da operação do Airbus.

Permissão para pouso

Investigadores do Japão, França, Reino Unido e Canadá analisaram, nesta quinta-feira (4), os destroços carbonizados dos aviões, que ainda estão na pista do aeroporto de Haneda, em Tóquio.

As gravações do voo Guarda Costeira e da Japan Airlines foram recuperadas, mas os registros de voz do voo comercial não foram registradas.

Transcrições das comunicações dos controladores de tráfego aéreo, divulgadas pela imprensa, revelaram que a torre de controle havia aprovado o pouso do voo da Japan Airlines.

A aeronave da Guarda Costeira teria sido instruída a se dirigir para outra parte da pista. No entanto, a ordem não foi cumprida e causou o acidente.

Antes de morrer, quando estava internado com ferimentos graves, o piloto do turboélice, Kazuki Ito, disse que também havia recebido a permissão para decolar – informou um funcionário da Guarda Costeira à imprensa japonesa.

*Com informações da AFP e CNN

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