Pais reclamam que escola para deficientes em Caeté, na Grande BH, tem falta de acessibilidade

Responsáveis por alunos da Escola Municipal Colibri de Ensino Especial, no centro de Caeté, na Grande BH, pedem que a prefeitura realoque as crianças por conta de condições inadequadas no prédio. A unidade, que é a única voltada para crianças com deficiência e outras condições especiais, fica nos fundos do Cine Teatro da cidade.

Pequena, a escola tem cerca de 50 alunos de 5 a 15 anos, e 20 funcionários. Pais relatam que a unidade possui mofo, umidade, muitos degraus, banheiros não adaptados, nenhuma incidência de sol, ventilação e falta de espaço natural. Eles alegam que os alunos estão em uma espécie de porão do prédio, sem janelas.

A Itatiaia esteve no local. Do lado de fora é possível ver que a escola fica em uma pequena porta, em rua estreita, atrás do prédio, e com janelas que revelam cômodos abaixo do nível da rua.

Cleide de Oliveira tem 45 anos, leva diariamente a filha com deficiência de 13 anos. Ela diz que a situação é precária. “Olha, a acessibilidade aqui é muito precária. Não tem banheiro acessível para as crianças. Tem que ter um corrimão [e não tem]. O banheiro ali é um banheiro normal de casa. Tem degrau, não pode haver degrau. Tem que ter espaço, criança tem que ter contato com ar livre. Tá muito difícil, tá precária a situação da escola”, disse.

Questionada se as crianças estão tendo aulas no porão do Cine Teatro, Cleide respondeu: “Sim, infelizmente. [O espaço] foi reformado. Inclusive, a reforma foi realizada com elas dentro. Tinha poeira, cimento, areia. E tem criança que tem sensibilidade à barulho. Você fica incomodada”, acrescenta.

Thayara Pereira é mãe de uma outra aluna da escola. Ela diz que o local não tem sol, circulação de ar e espaço. Tudo piora quando chove. “Ali não tem incidência de sol, não tem circulação de ar. No período chuvoso, aquilo ali se torna mais insalubre ainda. A escola mofa toda. Sem contar que não tem acessibilidade. O prédio não é adequado para uma escola infantil, quem dirá para uma escola especial”, desabafa.

Rayane Souza dos Santos, mãe de um aluno da escola, disse que recentemente foram feitas reformas que não melhoraram em nada a situação.

Eles correram para pintar e maquiar a escola para poder falar que ela estava ótima, excelente. A gente está tentando fazer de tudo para mudar a escola de lugar porque não tem acessibilidade direito para as crianças. O meu filho mesmo, ele ficou passando mal porque ele é muito friorento. Toda vez que ele chega na escola, ele tem que ficar com duas blusas de frio. A escola é toda fechada lá e faz muito frio já nos dias normais, agora no inverno então. Ele também ficou mais de três meses passando mal com rinite alérgica e bronquite por causa da poeira da reforma que eles fizeram com as crianças lá dentro”, contou.

Os pais já recorreram em diversos locais para pleitearem um novo espaço. Uma associação chegou a ser procurada e também buscou junto a prefeitura uma solução. Leandro Flávio, da Associação Visão e Esperança Inclusiva, diz que até a área das merendas é descuidada. “Até mesmo a cozinha do local não tem ventilação nenhuma. E se acontecer algum incêndio, alguma coisa, né? Pode comprometer todo o prédio”, comentou.

Em nota, a prefeitura informa que o local é utilizado desde 2020, e ao contrário do informado, não fica nos fundos do Cine Teatro, uma vez que o prédio tem endereço próprio. A Prefeitura compreende a reclamação dos pais e responsáveis, e por isso vem investindo em contínuas melhorias para o local. Reformas já foram feitas, e outras vão acontecer no recesso escolar de julho. Prevê ainda adequação dos banheiros para a acessibilidade e ampliação e salas de psicomotricidade. Diz que disponibiliza transporte para atividades ao ar livre, utilizando o pátio de outra escola, inclusive.

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