O fim das férias de julho costuma marcar um aumento no fluxo de veículos nas principais rodovias brasileiras, e a BR-040 é um dos corredores mais movimentados e perigosos nesse período. De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), entre os anos de 2022 e 2024, apenas no trecho entre Belo Horizonte e Simão Pereira, na divisa com o Rio de Janeiro, foram 32 acidentes registrados, resultando em três mortes e 40 feridos.
Esse segmento é rota comum para quem retorna da Região dos Lagos, Zona da Mata mineira ou da capital fluminense. Cidades como Nova Lima, Juiz de Fora, Congonhas e Barbacena aparecem entre os municípios com maior número de ocorrências, refletindo a complexidade e os riscos do trajeto.
Nova Lima lidera em acidentes na Região Metropolitana de BH
O trecho entre Itabirito e Nova Lima (do Km 546 ao Km 577), na chegada a BH, é um dos mais críticos. Com tráfego pesado, mistura de áreas urbanas, comerciais e industriais e alto índice de manobras perigosas, o local concentra colisões frequentes. No Km 564, por exemplo, uma conversão proibida causou uma colisão transversal que deixou quatro pessoas feridas.
Outro ponto recorrente é o Km 550, palco de um engavetamento envolvendo cinco veículos. A combinação de imprudência, desatenção e a complexidade da via torna o local uma zona constante de conflito.
Congonhas e Conselheiro Lafaiete: tráfego intenso e acidentes fatais
O trecho entre Km 600 e Km 625, abrangendo Congonhas e Conselheiro Lafaiete, também apresenta alto risco. No Km 613, ocorreram dois acidentes graves: um tombamento fatal causado por velocidade excessiva durante a noite, e uma colisão transversal durante o dia, devido a um retorno proibido, com três feridos.
Juiz de Fora: trecho sinuoso mesmo com pistas duplicadas
Mesmo com duplicação em boa parte do trecho entre os Kms 768 e 801, em Juiz de Fora, a rodovia segue perigosa. Foram registradas seis ocorrências, incluindo um tombamento de carreta no Km 793 que matou o condutor. Curvas acentuadas e declives exigem atenção redobrada. Houve ainda casos de queda de motociclistas e colisões em curvas.
Do Triângulo Mineiro a BH: o trecho mais acidentado da BR-040
Curiosamente, o trecho mais acidentado da BR-040 no fim das férias de julho não é o que liga BH ao Rio, mas sim o que vai de Contagem a Paracatu, passando pelo Noroeste de Minas. Foram 43 acidentes registrados, com uma morte e 57 feridos.
A região metropolitana de BH, sobretudo em Contagem, Ribeirão das Neves e Esmeraldas, concentrou metade dos acidentes (21 dos 43), em um trecho de apenas 45 km (Km 486 ao Km 530). O tráfego urbano intenso, com diversos acessos a bairros, centros comerciais e áreas industriais, aumenta a chance de colisões. Apesar da pista dupla, o grande volume de veículos e a imprudência nas manobras de entrada e saída da rodovia elevam o risco.
Regiões rurais também escondem armadilhas fatais
A BR-040 no sentido de Brasília, ao passar por Curvelo, João Pinheiro, Lagoa Grande e Paracatu, alterna longos trechos de pista simples e retas extensas, cenário comum para ultrapassagens arriscadas.
No Km 146, em João Pinheiro, foi registrado o único acidente fatal nesse trecho: uma colisão frontal em pista simples que resultou em uma morte e três feridos. Já em Curvelo, no Km 413, uma colisão lateral em uma ultrapassagem indevida deixou cinco feridos, expondo falhas tanto na condução quanto na infraestrutura — com destaque para cruzamentos em nível mal projetados.
BR-262: alternativa com menos acidentes no fim das férias
A BR-262, outra importante via de retorno das férias, tem se mostrado menos perigosa. No trecho entre João Monlevade e Martins Soares, na divisa com o Espírito Santo, foram apenas nove acidentes, com uma morte e 12 feridos, entre 2022 e 2024. A maioria dos desastres aconteceu em Manhuaçu, todos em pista simples e, em dois terços dos casos, à noite.
Já no segmento entre Betim e Campo Florido, foram 29 acidentes, também com uma morte e 13 feridos. Os principais municípios com registros foram Betim, Nova Serrana, Uberaba, Luz e Bom Despacho. Os fatores humanos se destacaram como os principais causadores: falta de reação do condutor, excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas.
O trecho urbano de Uberaba, especialmente entre os Kms 790 e 814, concentra os maiores riscos. Lá, ocorreu o único óbito: um atropelamento ao entardecer, quando um pedestre cruzava fora da faixa.
O levantamento mostra que, embora a duplicação de pistas seja um avanço, ela não garante segurança se não for acompanhada de fiscalização, educação no trânsito e melhorias de projeto viário. Trechos com forte interação urbana ou infraestrutura deficiente seguem sendo os pontos mais vulneráveis, e a falha humana continua sendo o fator dominante nos acidentes.
Para quem vai pegar estrada no fim das férias, a recomendação é redobrar a atenção, principalmente em trechos urbanos, curvas fechadas e áreas com alto índice de acidentes. Avaliar rotas alternativas, como a BR-262, pode ser uma boa estratégia para quem busca mais segurança no retorno para casa.
com informações do Estado de Minas (Mateus Parreiras)