Especialistas em aviação, em contato com a Itatiaia, indicam que o pouso forçado do helicóptero da PRF no Anel Rodoviário de BH, nesta segunda-feira (8), pode ter sido causado pela perda de controle da aeronave durante a decolagem.
No entanto, professores de aviação afirmaram em entrevista que ainda não é possível chegar a uma hipótese conclusiva, sem analisar o helicóptero da PRF, fabricado pela empresa italiana Leonardo S.p.A. (anteriormente conhecida como AgustaWestland).
Durante entrevista, o professor de Engenharia Aeroespacial da UFMG, Eduardo Bauzer, destacou que o caso não se trata de um acidente aéreo, pois não houve a queda da aeronave.
Na verdade, segundo ele, se trata de um pouso forçado “bem sucedido”, realizado pelos pilotos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na Av. Tereza Cristina, em Belo Horizonte (MG).
De acordo com a PRF, a cauda do helicóptero teria ficado presa a um muro, onde há ferragens. Com o impacto do pouso forçado, a aeronave sofreu danos no rotor de cauda.
Veja a matrícula da aeronave:
Hipóteses
Especialistas levantam duas hipóteses que motivaram o pouso forçado do helicóptero: perda de controle ou queda de potência da aeronave.
O professor Kerley Oliveira, Coordenador de Cursos de Aviação da UNA, especialista em Segurança de Aviação pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), acredita na possibilidade de perda de controle pela forma como o helicóptero toca o chão durante o pouso de emergência.
Veja o vídeo:
“A forma como a aeronave toca o solo, não é comum para um um pouso controlado. Então, parece que realmente teve um problema, mas eu não consegui observar nas imagens ela tocando em algum ponto (específico)”, disse Kerley.
O professor sugere, através das imagens, que o rotor de cauda do helicóptero sofreu alguma falha. A hélice está localizada no extremo traseiro do helicóptero e desempenha um papel fundamental na estabilidade do voo.
Enquanto o rotor principal fornece sustentação e impulsiona o helicóptero para frente, o rotor de cauda ajuda a controlar a orientação da aeronave. Ele também atua na estabilização do helicóptero durante manobras, como giros e mudanças de direção.
“Quando acontece algum problema no rotor de cauda, o helicóptero começa a girar de uma forma descontrolada. Consequentemente, ele vai tender a perder a sustentação. Mas não é o rotor de cauda que vai gerar a sustentação (da aeronave), então a gente precisa observar com mais detalhes para chegar a uma informação mais precisa”, pontuou o especialista.
Eduardo Bauzer, professor de Eng. Aeroespacial da UFMG, também acredita que os pilotos tiveram problema para controlar a aeronave durante a decolagem para socorrer uma das vítimas do acidente no Anel Rodoviário.
“A tripulação percebeu que tinha algum problema para controlar a aeronave durante o voo. Em função disso, ele optou por fazer um pouso de emergência de imediato. O problema era sério, senão eles não teriam feito o pouso de emergência. Então, para salvar vidas, foi feito um pouso de emergência”, explicou.
Bauzer lembra que toda operação aérea envolve risco. “Não existe risco zero (durante um voo). Então, o risco é controlado e minimizado (durante emergências)”, pontuou.
No entanto, ainda é impossível chegar a uma conclusão sobre o que causou a situação de emergência.
Destelhamento
Antes mesmo do pouso de emergência na Av. Tereza Cristina, a decolagem do helicóptero da PRF chamou a atenção pela danificação do telhado das residências à beira do Anel Rodoviário.
O professor da UNA, Kerley Oliveira, explicou o incidente através da Terceira Lei de Newton, que trata sobre “ação e reação”.
O especialista identificou que o modelo do helicóptero da PRF pesa, aproximadamente, 2.850 kg. Portanto, a aeronave precisa fazer uma força de cerca de 3 mil quilogramas para levantar voo.
“Precisa ter uma força que seja capaz de gerar sustentação para essa massa de 2.850 kg. Você precisa jogar uma força pra baixo equivalente ou maior do que o peso da aeronave”, explicou.
“Então, é como se aquelas telhas, as casas que foram atingidas, estivessem recebendo o impacto, a força capaz de levantar um um objeto de quase 3 mil kg. Por isso, tem um deslocamento de ar muito forte (em torno da decolagem)”, explicou sobre o destelhamento das casas na beira da rodovia.