Quem atravessa apressado a Praça Tiradentes, no centro de Sete Lagoas, mal percebe a história adormecida atrás das fachadas comerciais. No local onde hoje funciona uma casa lotérica e uma clínica veterinária, já vibraram as cortinas de um dos mais importantes espaços culturais da cidade: o Cine Teatro Pepino.
Inaugurado em 12 de janeiro de 1967, o local não foi apenas mais uma sala de cinema. Era um verdadeiro centro de efervescência artística, reunindo filmes, peças teatrais, shows e encontros memoráveis. Idealizado pelos irmãos Renato e Giuseppe Ferrari, o teatro-cinema recebeu o nome de “Pepino” em homenagem póstuma a Giuseppe, falecido dois anos antes da inauguração.

“Era mais uma opção de lazer para a comunidade. Um lugar especial”, lembra Renato Ferrari Júnior, filho de Renato, com emoção ao recordar a noite de estreia. Para ele, o espaço era mais do que um negócio da família — era um sonho partilhado por visionários.

Os irmãos Ferrari, junto ao Braz Filizzola, também foram responsáveis por outros empreendimentos cinematográficos da cidade, como o Cine Meridiano, que marcou o início da forte influência italiana no setor cultural setelagoano. Além disso, administraram outros espaços emblemáticos como o Cine Trianon e o inesquecível Cine Rivello, pontos de encontro da juventude e da vida social de décadas passadas.
No entanto, com o tempo, a magia das telas e do palco perdeu espaço. O Cine Teatro Pepino encerrou suas atividades em 2000, vítima da queda de público e das transformações nos hábitos de lazer. Desde então, o prédio entrou em decadência, caindo no esquecimento silencioso de uma cidade que, por vezes, vira as costas à sua própria história.
Mas há quem não esqueça. O nome “Pepino” ainda ecoa entre aqueles que viveram as noites de estreia, os risos das comédias, os aplausos das peças. Há uma memória coletiva que resiste, mesmo que em silêncio, esperando um novo ato.



Entre o abandono e a lembrança, o Cine Teatro Pepino permanece como símbolo de um tempo em que a cultura era vivida com intensidade em Sete Lagoas — e como um chamado à preservação do que ainda pode ser resgatado.