Mulher que falou com gerente negra que só conversaria ‘com uma pessoa branca’ está em presídio na Grande BH

A mulher, de 35 anos, foi presa por injúria racial/ racismo após insultar a gerente de um bar no bairro Alípio de Melo, região da Pampulha, em Belo Horizonte, está no Presídio de Vespasiano, na região metropolitana, desde essa quinta-feira (9). A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) nesta manhã.

Segundo o boletim de ocorrência, a gerente do estabelecimento comercial contou que a cliente se queixou do atendimento e, posteriormente, “reclamou” dizendo: “da próxima eu resolvo com uma pessoa branca”. Ainda conforme o registro, a cliente repetiu a frase ao ser questionada.

Muito abalada, a vítima, de 35, contou à Itatiaia nessa quinta-feira (9) que ficou incrédula ao ouvir o insulto racista. “Eu não acreditava que tinha escutado. Perguntei para outro garçom que confirmou que escutou e depois para o garçom que estava com a mulher (a cliente), que também é negra”, contou. A gerente ainda disse que sentiu um alívio por ver a justiça acontecer.

‘Você entende que você não precisa ficar calado. Tem meios que vão te acolher que vão lutar por você, você não precisa ficar calado, não precisa ficar com medo. Eu não preciso ficar com medo de perder meu emprego, de perder seus colegas. Eu estou indo atrás de respeito. Eu só quero ser respeitada e quero que todo mundo seja respeitado’,

disse a vítima

A suspeita foi impedida de deixar o local até a chegada da Polícia Militar (PM). Ela, a vítima e testemunhas foram levadas para a delegacia, onde a Polícia Civil confirmou a prisão. . “A prisão em flagrante foi ratificada hoje e a autora foi incursa no art. 2°, A, da lei 7.716/89″, disse o advogado da vítima, Gilberto Silva.

A reportagem da Itatiaia tenta contato com a defesa da suspeita. O espaço está aberto caso queira se manifestar.

Dois casos em menos de uma semana

Um homem, de 26, foi preso durante a noite dessa quinta-feira (9) pelo crime de injúria racial dentro da UPA Ressaca em Contagem, na Grande BH. A vítima das supostas ofensas foi um porteiro da unidade de saúde, de 51.

A vítima dos xingamentos, conforme a Guarda Municipal, teria pedido para que o suspeito, que estava acompanhando uma paciente, deixasse um local que é restrito para funcionários. Irritado, o homem teria chamado a vítima de “macaco”, além de atingir um computador da unidade, que não foi danificado.

A PC, por meio de nota, disse que ele também foi ouvido por meio da Central Estadual do Plantão Digital, e teve a prisão em flagrante ratificada.

Denúncias disparam

Conforme a lei brasileira, o crime de injúria racial consiste em ofender a honra de alguém valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem, o crime de racismo atinge uma coletividade de indivíduos — discriminando toda a integralidade de uma raça. Em janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei aprovada pelo Congresso Nacional que equipara o crime de injúria racial ao de racismo e amplia as penas.

Conforme os dados mais atualizados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), de janeiro a outubro de 2024, foram 1.521 denuncias — 200% a mais que no ano anterior no mesmo período, quando a polícia registrou 490 casos. Em 2022, foram 423.

O número de casos de racismo é menor. De acordo com a pasta, de janeiro a outubro do ano passado, foram 162. Em 2023, foram 332, e em 2022 foram 153.

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