Ministro minimiza derrotas no Congresso e diz que foco do governo está na agenda econômica

O ministro da Secretaria das Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha, responsável pela articulação política do Executivo com o Legislativo, minimizou nesta segunda-feira (3) as derrotas sofridas pelo governo Lula no Congresso Nacional na semana passada.

Nas duas últimas sessões, o Congresso manteve o fim das saída temporária dos presos, dispositivos que inflavam a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e também o veto do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o crime de fake news em massa – todas as pautas contaram com articulação do governo, mas o resultado foi o oposto do esperado.

Nesta segunda, após se reunir com o presidente Lula (PT) e com líderes do governo no Congresso, Padilha destacou que, apesar das derrotas, o foco no governo segue sendo a agenda econômica.

“É muito raro um time ser campeão em campeonato de pontos corridos sem ter derrotas. Não podemos perder o mata-mata. Um time alemão [Bayer Leverkusen] há pouco tempo foi campeão invicto nos pontos corridos, mas perdeu o campeonato europeu [Liga Europa] na final. Nós não vamos ser derrotados naquilo que é principal, a política econômica e as pautas sociais do país. Temos consciência de qual é a realidade do Congresso. E, aquilo que é central neste país, estamos vencendo esse debate em parceria com o Congresso Nacional”, disse o ministro.

Questionado sobre os problemas na articulação do governo, que se mostrou problemática diante dos últimos resultados, o ministro reconheceu que dificilmente o governo teria vida fácil em pautas de costumes, dado o viés conservador do Congresso, mas ressaltou que o governo não vai se omitir de debates temas que achar relevante, mesmo diante da possibilidade de derrota.

“Já existia, no tema da saidinha quando o presidente fez o veto, a avaliação de que a gente não ia conseguir mudar a opinião do Congresso. Temos que encarar a realidade, o Congresso tem posições conservadoras em algumas pautas”, disse Padilha

Lula será mais presente

A reunião que ocorreu nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, foi a forma encontrada pelo governo de definir as prioridades e tentar evitar entrar em ‘bolas divididas’ no Congresso. O encontro marca também a entrada do presidente Lula nas discussões do dia a dia do Legislativo, algo que até então não ocorria.

Segundo Padilha, Lula deve retomar o envolvimento direto na articulação, com reuniões com líderes e vice líderes na Câmara e Senado. O próximo foco será na votação do programa Mobilidade Verde e Inovação – o Mover, que deve ser votado na próxima terça-feira.

Atualmente, duas emendas ‘jabutis’ tem causado dor de cabeça para o governo. Um deles estabelece uma política de conteúdo local para exploração de petróleo natural. De acordo com o ministro, o governo estuda fazer emendas de redação para suprimir o assunto. Se isso não for possível, a ideia é deixar claro que não há compromisso de sanção presidencial, ou seja, veto.

A outra emenda é a que diz respeito à taxação de compras internacionais em sites como Shoppe, Shein e Aliexpress. O Governo e Câmara acordaram uma alíquota de 20% no valor do produto, aprovada por deputados, o que deve ser mantido no Senado.

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