Uma menina de 7 anos morreu, nessa sexta-feira (4), após dar entrada em estado grave no Hospital Universitário Clemente de Faria, em Montes Claros, no Norte de Minas, e não ter leitos pediátricos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) — somente neonatal e adulto.
Segundo a assessoria de comunicação da Unimontes, responsável pela unidade, a criança foi transferida para lá, na última quinta-feira (2), após ser atendida no Hospital Municipal Alpheu de Quadros.
Também foi informado que a menina recebeu a assistência e o fato está sendo apurado. Enquanto isso, familiares da vítima e outras famílias cobram providências. O corpo da criança será enterrado neste sábado (4).
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Em comunicado de hoje de manhã, a Prefeitura de Montes Claros informou que o Hospital Alpheu de Quadros e a UPA do Chiquinho Guimarães foram feitos para atendimentos de menor complexidade com o objetivo de desafogar os hospitais e que, em casos graves, o paciente deve ser encaminhado diretamente a um dos outros hospitais.
Em nota, o hospital universitário esclareceu ainda que, assim que deu entrada na unidade de saúde na última quinta-feira (2), a criança foi encaminhada para a sala vermelha do pronto-socorro e contou com suporte e acompanhamento de um pediatra durante toda a internação.
Devido à gravidade do caso, foi solicitada vaga em UTI pediátrica em outros hospitais da rede, porém sem sucesso. Também foi emitido laudo para judicializar a busca por uma vaga em UTI pediátrica fora da macrorregião norte.
Mas a menina morreu após a saúde dela se agravar ainda mais ontem no início da tarde. O HU, gerido pela Unimontes, expressou sentimentos de pesar à família da criança.
Cenário ‘alarmante’
Em meio à falta de leitos pediátricos disponíveis para o sistema único de saúde e planos de saúde, a Prefeitura de Montes claros decretou, ontem, situação de emergência em saúde pública.
No decreto, válido por 60 dias, a prefeitura afirma que a situação se tornou crítica devido aos casos de síndrome respiratória aguda grave e de arboviroses causadas pelo mosquito aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika.
Ainda segundo o documento, o atual cenário é “alarmante” por causa da falta de leitos para o público infantil.
Com isso, ficou determinada intervenção parcial, pela Secretaria Municipal de Saúde de Montes Claros, na regulação e ocupação dos leitos de pediatria do sistema único de saúde — sus, no município.
E, também, haverá a restrição de transferências de pacientes de outras cidades para Montes claros e que a UPA do bairro Chiquinho Guimarães deve ser transformada temporariamente em hospital de urgência pediátrica.