Maioria dos estados que adota câmeras corporais nas polícias usa gravação ininterrupta, aponta levantamento da USP

Maioria dos estados que adota câmeras corporais nas polícias usa gravação ininterrupta, aponta levantamento da USP

A maioria dos estados com câmeras corporais na Polícia Militar determina a gravação contínua das imagens, segundo o Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP). Na quarta-feira (22), o governo Tarcísio de Freitas anunciou um novo edital em São Paulo, alterando a gravação de ininterrupta para opcional, permitindo que o policial decida quando gravar. A mudança foi criticada por entidades de segurança pública e direitos humanos, que afirmam que a gravação contínua reduz a letalidade policial e oferece proteção aos policiais.

O levantamento do NEV-USP revela que os estados do Ceará e Espírito Santo usam câmeras apenas na Polícia Penal, enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Norte adotam a gravação durante ocorrências, como será o novo modelo em São Paulo. Segundo o pesquisador Daniel Edler, o modelo anterior de São Paulo serviu de referência nacional, com significativa redução no uso da força e da força letal.

Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins ainda não utilizam câmeras corporais. Em Rondônia, a Polícia Militar utiliza câmeras, mas os detalhes são classificados como secretos.

O Ministério da Justiça está elaborando um protocolo nacional para padronizar o uso de câmeras nos uniformes policiais, com previsão de anúncio do documento final na próxima terça-feira (28). A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo justifica a mudança devido a problemas de autonomia da bateria e custos de armazenamento, alegando que o novo equipamento será mais avançado tecnologicamente e permitirá o compartilhamento automático de registros com autoridades, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Fonte: Globo Minas. Foto: Divulgação/Secom/GESP

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