Itamaraty convoca representante dos EUA após nota da embaixada endossar fala de Trump sobre Bolsonaro

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil decidiu convocar o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos após uma nota oficial da representação americana endossar declarações do ex-presidente Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o documento, o ex-presidente brasileiro estaria sendo alvo de “perseguição política”.

Divulgada nesta quarta-feira (9), a nota afirma:

“Jair Bolsonaro e sua família têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos. A perseguição política contra ele, sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas do Brasil. Reforçamos a declaração do presidente Trump. Estamos acompanhando de perto a situação.”Em resposta à imprensa, a embaixada americana evitou comentar se o governo dos EUA cogita sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da ação penal que trata da tentativa de golpe de Estado, em que Bolsonaro figura como réu.

Ainda não há data definida para o encontro, mas, segundo fontes do Itamaraty, Escobar deverá se reportar à secretária-geral de Relações Exteriores, embaixadora Maria Laura da Rocha, ou à secretária de Europa e América do Norte, Maria Luisa Escorel.

A nota da embaixada veio horas após nova publicação de Donald Trump em sua rede Truth Social. O ex-presidente americano voltou a acusar o governo brasileiro de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, reforçando postagem anterior, feita na segunda-feira (7), em que disse que o Brasil estaria tratando o ex-presidente “de forma terrível”.

“Eu tenho assistido, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano!”, escreveu Trump.Na mesma segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à fala de Trump, sem citá-lo diretamente. Em declaração pública, afirmou que a defesa da democracia no Brasil é um assunto exclusivo dos brasileiros e que o país “não aceitará tutela nem interferência de quem quer que seja”.

Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e é réu no STF por seu envolvimento na tentativa de golpe investigada pela Polícia Federal.

Ainda nesta quarta-feira, Trump mencionou o Brasil durante uma conversa com líderes da África Ocidental na Casa Branca, ao afirmar que o país “não tem sido bom com os Estados Unidos”. Ele indicou que pretende anunciar medidas relacionadas ao comércio bilateral com o Brasil nas próximas horas:

“Vamos divulgar um número referente ao Brasil, acho que ainda nesta tarde ou amanhã de manhã”, disse o ex-presidente.

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