Infestação de piolhos aumenta durante o frio ; veja os cuidados que devem ser tomados

Com o frio a infestação de piolhos tende a aumentar/Foto: Daniele Castro - Folhapress

Com a queda das temperaturas, aumentam os casos de pediculose (infestação por piolhos) nas escolas. Especialistas em dermatologia, pediatria e controle de parasitas explicam que isso ocorre por fatores comportamentais e ambientais.

Com o frio a infestação de piolhos tende a aumentar/Foto: Daniele Castro – Folhapress

Apesar de gostarem de calor, os piolhos se aproveitam das temperaturas mais baixas para se abrigar em locais quentinhos, como gorros, toucas, cachecóis e capuzes — acessórios comuns no inverno e muitas vezes compartilhados entre colegas, o que facilita a transmissão indireta.

“Com o frio, as crianças passam a usar esses itens e, ao dividirem com os amigos, aumentam o risco de contágio”, afirma a dermatologista Thaísa Modesto.

Outro fator que contribui para a disseminação é o aumento do tempo em ambientes fechados, o que favorece o contato direto entre as cabeças — principal via de transmissão, já que o piolho não voa nem salta.

“A temperatura não influencia diretamente, mas o maior contato físico, sim”, complementa Polyane Saraiva, que fundou com o marido infectologista a empresa Dr. Piolho, especializada em tratamento da pediculose.

Riscos físicos e emocionais

O sintoma mais comum é a coceira intensa no couro cabeludo, que pode causar feridas. “Essas lesões facilitam a entrada de bactérias e podem evoluir para infecções, como o impetigo, que forma crostas amareladas”, explica Modesto.

Além dos danos físicos, a pediculose afeta o bem-estar emocional da criança, podendo causar isolamento, bullying e baixa autoestima. “A coceira persistente pode até atrapalhar o sono e o rendimento escolar”, completa a dermatologista.

Para a pediatra Renata de Castro, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a pediculose deve ser tratada como uma questão de saúde pública.

“É comum na infância e não está ligada à falta de higiene. É essencial que famílias e escolas atuem em conjunto, com diálogo e sem estigmatizar a criança afetada”, afirma.

Ela reforça que, com tratamento adequado, o problema é facilmente resolvido e raramente apresenta complicações.

Prevenção

Detectar o problema cedo é essencial. “Muitas famílias só percebem os sinais quando a infestação já se espalhou”, alerta Modesto.

Evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal, como pentes, escovas, bonés e toucas, é uma das principais medidas de prevenção, segundo o dermatologista Leonardo Spagnol Abraham, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Ele também recomenda inspeções frequentes no couro cabeludo das crianças, principalmente nas regiões atrás das orelhas e na nuca, onde os piolhos costumam se concentrar. “Fique atento a piolhos, lêndeas (ovos) ou feridas causadas por coceira intensa”, orienta.

Tratamento seguro e eficaz

Os especialistas alertam: receitas caseiras como vinagre, alho, óleo ou maionese são ineficazes e podem causar reações alérgicas ou irritações. Raspar a cabeça também não deve ser a primeira opção.

O tratamento indicado envolve o uso de loções ou xampus específicos, prescritos por pediatra ou dermatologista, e o uso diário do pente fino por sete dias para remover as lêndeas.

Roupas e objetos usados devem ser lavados com água acima de 55 °C ou guardados em sacos plásticos por 14 dias.

Empresas especializadas oferecem tratamento com aspiradores específicos. “Criamos a Dr. Piolho a partir de uma experiência pessoal e adaptamos um método dos EUA”, explica Saraiva.

Abraham reforça a importância de agir rapidamente e comunicar a escola e familiares próximos. “Isso evita novas infestações e permite o cuidado com todos os envolvidos. Ter piolho não é sinal de falta de higiene — qualquer pessoa pode ser afetada”, conclui.

Da Redação com informações de Folhapress

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