O músico
Chico Buarque
cirurgia no crânio
O procedimento foi realizado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, onde o ícone do MPB se recupera. Consagrado como uma das maiores vozes da música nacional, ao lado de
Caetano Veloso
Maria Bethânia
Gilberto Gil
Gal Costa
À Itatiaia, o Dr. Philipe Marques da Cunha, médico neurologista e professor da Afya Educação Médica, explicou que a HPN pode afetar a mobilidade — alterações na marcha, causar problemas cognitivos e também incontinência urinária.
“A HPN manifesta-se por meio de uma tríade de sintomas conhecida como Síndrome de HakimAdams: alterações na marcha (com passos curtos, lentos, instabilidade, e a sensação de “colar os pés no chão” – a chamada marcha magnética), incontinência urinária e deterioração cognitiva semelhante à demência. A alteração da marcha é, geralmente, a característica mais marcante da doença”, pontuou Philipe.
Pós-operatório e recuperação
O profissional também destacou que o paciente deve seguir algumas orientações médicas no pós-operatório, como evitar esforços físicos e intensos nas primeiras semanas e cuidar das incisões cirúrgicas, visto que é um procedimento neurocirúrgico delicado.
“A recuperação completa pode levar de 4 a 12 semanas, dependendo do estado geral do paciente antes da cirurgia e da sua resposta ao tratamento”, frisou ele.
No caso de Chico, que recentemente subiu ao palco para cantar com Gil na
turnê ‘Tempo Rei’
“Esse período pode ser maior ou menor, conforme a gravidade do quadro, o tipo de válvula implantada, as características do procedimento e as comorbidades presentes. O retorno ao trabalho e às atividades artísticas dependerá especialmente da recuperação da marcha e da cognição”, salientou Dr. Philipe.
Eficácia da cirurgia
Segundo o neurologista, a eficácia da cirurgia é avaliada pela melhora nos sintomas, principalmente da mobilidade. “A marcha costuma ser o primeiro aspecto a apresentar melhora, tornando-se mais firme e segura. Em seguida, podem ocorrer melhorias na continência urinária e, de forma mais lenta e variável, na cognição”, explicou.
Cunha alerta que o diagnóstico precoce e a intervenção adequada são fundamentais. “A resposta à cirurgia geralmente é observada entre algumas semanas e poucos meses após o procedimento. Em alguns casos, testes prévios, como a drenagem lombar (chamada TAP Teste), ajudam a prever se o paciente responderá bem à cirurgia”, reforçou.
Tratamento
O diagnóstico, de acordo com o profissional, é resolvido após a cirurgia. À Itatiaia, ele ainda detalhou como o procedimento é realizado. “O tratamento padrão para HPN é a colocação de uma válvula de derivação ventrículo peritoneal (DVP). Durante o procedimento, um cateter é inserido nos ventrículos cerebrais e conectado a uma válvula que regula o fluxo de LCR. Esse líquido é então drenado para o peritônio (região abdominal), onde é absorvido pelo organismo”, iniciou.
“Existem diferentes tipos de válvulas, como as programáveis e automáticas. A cirurgia é realizada sob anestesia geral, com um pequeno orifício no crânio e outra incisão no abdome para a passagem do cateter”, continuou.
Riscos
Apesar de ser um procedimento delicado, os riscos são poucos. Entre eles, estão: infecções, sangramentos, obstrução ou mau funcionamento da válvula, além de complicações anestésicas. “Quando realizado por uma equipe experiente, o risco é considerado moderado. Em pacientes idosos, os riscos podem ser um pouco maiores devido à presença de comorbidades, mas em muitos casos os benefícios superam os riscos”, esclareceu