Um foco de gripe aviária identificado em uma granja comercial de Montenegro, no Rio Grande do Sul, deve impactar as exportações brasileiras de carne de frango nos próximos meses. Segundo estimativas iniciais da consultoria Safras & Mercado, entre 15% e 20% das vendas externas mensais do produto podem ser prejudicadas, já que o estado – terceiro maior exportador nacional – teve as exportações suspensas. “O Rio Grande do Sul foi retirado temporariamente das exportações, conforme determina o protocolo sanitário, mas o restante do país segue com a comercialização normal”, declarou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, nesta sexta-feira (16).
A confirmação do vírus levou países como China e União Europeia a interromperem as importações da carne brasileira. A medida tende a gerar grandes perdas econômicas para o RS. “A China sozinha compra mais de 40 mil toneladas por mês do estado, o que representa mais de 10% das exportações do Brasil. Com isso, devemos ver maior oferta interna e, possivelmente, queda nos preços em toda a cadeia”, analisa Fernando Iglesias, da Safras & Mercado. Além do mercado chinês, o Rio Grande do Sul exporta mensalmente cerca de 8,37 mil toneladas para os Emirados Árabes, 7,6 mil para a Arábia Saudita e 2,16 mil para o Japão.
Apesar da gravidade do episódio, Iglesias afirma que a estrutura atual dos acordos comerciais firmados pelo Brasil permite certa flexibilidade. Países como Japão e nações do Oriente Médio podem restringir temporariamente as compras apenas da região afetada, sem barrar o produto proveniente de outras áreas do país.
O ministro Fávaro também informou que foi decretada emergência zoossanitária por 60 dias em Montenegro, com um raio de 10 km em torno da granja onde o vírus foi detectado. A delimitação pode ser ajustada conforme decisão da Secretaria de Defesa Agropecuária.
Exportações em números
Dados da Secretaria de Comércio Exterior, compilados pela Safras & Mercado, apontam que, até agora em maio (considerando apenas os seis primeiros dias úteis), o Brasil arrecadou US$ 251,038 milhões com as exportações de carne de frango e seus derivados. A média diária foi de US$ 41,839 milhões, com volume total de 139,4 mil toneladas embarcadas – média de 23,2 mil toneladas por dia. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.800,8, um crescimento de 16,9% no faturamento diário e aumento de 15% no volume, na comparação com maio de 2024. O preço médio por tonelada teve leve alta de 1,7%.
Setor espera respostas rápidas
Procuradas para comentar os impactos comerciais, entidades representativas do setor não se manifestaram diretamente sobre as consequências. Em nota, tanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) quanto a Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) disseram apenas confiar na agilidade das medidas a serem adotadas pelo Ministério da Agricultura para resolver a situação o quanto antes.
O caso confirmado
A confirmação do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) foi feita na quinta-feira (15) pelo Ministério da Agricultura, após análises em uma granja comercial em Montenegro (RS). Este é o primeiro registro da doença em uma operação avícola comercial no Brasil, que atualmente lidera as exportações globais de carne de frango.
Segundo o ministério, as ações previstas no plano nacional de contingência já estão em andamento para conter e erradicar o foco da doença. A meta é manter a produção ativa e preservar o abastecimento e a segurança alimentar da população.
O órgão reforçou que a gripe aviária não é transmitida por meio da carne ou dos ovos de aves. “Os produtos inspecionados seguem seguros para consumo. O risco de transmissão para humanos é muito baixo e, geralmente, está restrito a pessoas que lidam diretamente com aves infectadas, vivas ou mortas”, informou o Mapa.