‘Forças Armadas não queriam golpe’, diz ministro de Lula ao lembrar 8 de janeiro

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, disse, em entrevista veiculada neste domingo (7), que as Forças Armadas “não queriam golpe” em 8 de janeiro do ano passado, quando prédios dos Poderes da República, em Brasília (DF), foram depredados durante atos antidemocráticos. Segundo ele, os oficiais se mantiveram “ao lado da democracia” e “a favor da Constituição”.

“As instituições estavam absolutamente ao lado da democracia. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica estavam absolutamente a favor da Constituição. É como em um clube de futebol: você tem um jogador indisciplinado no jogo e tira o indisciplinado, mas o time continua. Eles não queriam golpe. Em momento nenhum se falou nisso. Não houve um que dissesse ‘eu quero um golpe’”, afirmou.

Integrante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Múcio sugeriu que oficiais próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nutriam, individualmente, o desejo de subverter a ordem democrática.

“Você vê nos depoimentos da CPMI, nas investigações em curso e nos depoimentos que já se tornaram públicos. Não apareceu um cidadão que disse ‘eu quero um golpe; vamos dar um golpe’. Não houve isso. Talvez, no íntimo, alguns torcessem por isso, o entorno do ex-presidente. Havia um grupo do ex-presidente. Havia um grupo interessado nisso, mas não houve ninguém que assumisse essa responsabilidade. Nem o ex-presidente assumiu essa responsabilidade”, criticou.


Múcio, aliás, garantiu que ataques antidemocráticos como os vistos em 8 de janeiro do ano passado “nunca mais” vão acontecer. Segundo o ministro, as movimentações foram um “alerta” às instituições do Estado brasileiro.

Como mostrou levantamento da Quaest Consultoria e Pesquisa, 89% dos brasileiros desaprovam as invasões de 8 de janeiro. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), esse índice é de 85%. No que tange aos apoiadores de Lula, o percentual é de 94%.

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