Em meio à polêmica envolvendo a importação de arroz, o cancelamento do leilão por indícios de fraude e a expectativa por um novo leilão, a maior entidade de produtores do país sobe o tom contra o governo federal. “Não tem o mínimo cabimento”, critica Alexandre Azevedo Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul.
Nesta semana, o governo Lula anunciou a importação de mais de 260 mil toneladas depois de cancelar o leilão anterior, que previa a compra de até 1 milhão de toneladas do produto para abastecer o mercado nacional.
Segundo Azevedo Velho, as perdas na produção do estado, maior produtor do país, não chegam a 1,5% e que, no mesmo período, o Brasil colheu uma safra maior do cereal, graças ao aumento de áreas cultiváveis em outros estados.
“A queda, neste ano, da produção do Rio Grande do Sul, que responde por 70% da produção nacional, é de somente 1,5%. Então, tu acha que justifica o governo anunciar uma compra de até 1 milhão de toneladas se eu tenho essa quebra e se eu tenho aumento da produção brasileira?”, questiona.
Durante as primeiras semanas em que o estado gaúcho foi afetado por enchentes o arroz chegou a faltar nas prateleiras de alguns supermercados, sobretudo os menores e os preços chegaram no patamar de R$ 40 o pacote com cinco quilos. No entanto, para a Federação dos Arrozeiros, o problema foi momentâneo, provocado por questões logísticas já superadas e que o aumento no preço do produto foi provocado pelo próprio governo federal.
“O que aconteceu foi um problema momentâneo, muito mais de logística… problema de estradas, de emissão de notas fiscais em função de que a Receita Estadual esteve durante duas ou três semanas com problemas. Isso já foi superado e já estamos abastecendo, com tranquilidade, o mercado varejista e, consequentemente, o consumidor”, afirma. “A elevação se deve única e exclusivamente ao anúncio do governo, sem a mínima necessidade. O governo chegou a anunciar uma procura muito grande no mercado internacional. Provocou o aquecimento dos preços no mercado interno, no Mercosul e até na Ásia”, completa.
Críticos ao do governo federal afirmam que a decisão tomada por Lula não é técnica, mas política, e que seria uma forma de “promoção” do governo federal. Para Azevedo Velho, a opção pela compra do arroz no mercado internacional é “total falta de conhecimento” sobre o assunto.
“Tanto é que nosso presidente falou em trazer arroz da Venezuela. A Venezuela não tem condição de alimentar o seu próprio povo, tanto é que compra arroz brasileiro. Não existe esse tipo de informação, é totalmente descabida”, critica.