Ex-secretário de Bolsonaro rebate Wagner Moura após o ator falar em ‘censura cínica’

O deputado federal
Mário Frias
(PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo do ex-presidente
Jair Bolsonaro
(PL), rebateu as críticas feitas pelo ator
Wagner Moura
à revista The Hollywood Reporter na última sexta-feira (2).

Em conversa com outros atores, o protagonista de
O Agente Secreto
afirmou ter sido alvo de uma “censura cínica” durante o governo Bolsonaro. “Não uma censura igual à da ditadura, mas uma censura cínica, em que eles tornam seu filme impossível de ser lançado”, relatou.

Nas redes sociais, Frias afirmou que Wagner Moura “mente muito” e acusou o ator de defender ditaduras, segundo ele, socialistas na
América Latina
. “O mesmo ator que discursa sobre censura é aquele que fez campanha política para Lula, um líder que apoia Nicolás Maduro [
presidente da Venezuela capturado no último sábado (3) por militares dos Estados Unidos
]”, escreveu no X, antigo Twitter.

Na mesa-redonda com nomes como
Jacob Elordi
,
Dwayne Johnson
,
Adam Sandler
e
Michael B. Jordan
, Wagner Moura falava sobre a parceria com o diretor do
longa brasileiro indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro
,
Kleber Mendonça Filho
— colaboração que, segundo ele, se fortaleceu por meio da política. “O Brasil, de 2018 a 2022 [governado por Bolsonaro], passou por um momento muito difícil, e quem se manifestava contra o que estava acontecendo sofria as consequências. Nós dois sofremos”, contou.

Frias rebateu acusando o ator de ser “sustentado pelo mesmo Estado que oprime, prende ilegalmente e mata o próprio povo”. O parlamentar e ex-secretário classificou como “vergonhoso” ver o brasileiro e outros atores de Hollywood sentados à mesa, “protegidos por milhões de dólares”, discutindo um tema que, segundo ele, “claramente não conhecem”.

Essa, no entanto, não foi a primeira vez que o ator elevou o tom ao falar sobre censura durante a gestão do ex-presidente. Em entrevista à Folha de São Paulo em 2021, Wagner Moura afirmou que o filme
Marighella
, que marcou sua estreia na direção, havia sido censurado pela
Agência Nacional do Cinema
(Ancine), órgão vinculado ao governo federal, por se tratar de uma biografia de
Carlos Marighella
, guerrilheiro que lutou contra a
ditadura militar
.

O longa demorou para estrear nos cinemas devido à pandemia e a um imbróglio envolvendo a agência. “As negativas da Ancine para lançar e, depois, o arquivamento dos nossos pedidos não têm explicação. E isso veio numa época em que Bolsonaro falava publicamente sobre a filtragem da agência”, disse Moura à época.


O Agente Secreto
foi indicado ao
Globo de Ouro 2026
nas categorias de Melhor Filme de Drama e Melhor Filme de Língua Não Inglesa.
Wagner Moura também recebeu indicação na categoria de Melhor Ator em Filme de Drama
. A cerimônia de entrega dos prêmios acontece no próximo domingo (11), nos Estados Unidos.

O longa, que retrata a história de um professor universitário que viaja a Recife para encontrar o filho caçula, apesar dos riscos impostos pela ditadura militar, também é
apontado como uma aposta para o Oscar.
Wagner Moura figura entre os cotados para
disputar a estatueta de Melhor Ator
.

Veja Mais