A cada quatro vagas de trabalho disponíveis para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), três estão desocupadas. É o que apontam dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos filtrados pela Itatiaia.
Das 4.573 vagas aprovadas para o funcionamento pleno da instituição, apenas 1.106 estão efetivamente ocupadas. Os demais 3.467 postos estão desocupados. Ou seja, 75,8% da capacidade funcional da organização está vaga. Os números fazem parte de um balanço de novembro de 2023.
A maior parte dos cargos desocupados é para a função de oficial de inteligência (1.399). Na sequência, estão os de agente de inteligência (878) e o de oficial técnico de inteligência (329).
Em nota, a Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin) diz que “a inteligência de Estado tem que ser preservada do debate político-partidário, e os profissionais de carreira precisam ser valorizados”.
Espionagem
A Abin está no centro de um escândalo investigado pela Polícia Federal. Na quinta-feira (25), o ex-diretor-geral da agência Alexandre Ramagem foi alvo da operação “Vigilância Máxima” por suposta prática de espionagem ilegal.
Segundo a investigação, o esquema envolvia o uso de um software isaralense chamando “FirstMile”, capaz de obter dados de geolocalização em dispositivos móveis, como celulares e tablets, sem autorização judicial e sem o conhecimento de quem estava sendo monitorado.
O programa – adquirido durante a gestão do ex-presidente Michel Temer – permite o rastreio do paradeiro de qualquer pessoa através do dispositivo móvel. É possível ver o histórico de deslocamentos e criar alertas em tempo real de movimentações em diferentes endereços.
O sistema teria sido usado para espionar adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), jornalistas e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação da PF aponta que houve uma intensificação desse uso ilegal em 2021.
A operação “Vigilância Aproximada” apura se Ramagem, ex-diretor da agência, teria chefiado de uma organização criminosa que teria se infiltrado na Abin com o propósito de realizar monitoramento ilegal de autoridades públicas e indivíduos. De acordo com a investigação, o uso da ferramenta de monitoramento era feito sem a devida autorização judicial.
Os investigados podem responder pelos crimes de: invasão de dispositivo informático alheio; organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.
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