Dr. Hugo Soares destaca desafios e avanços no tratamento e reforça a importância da conscientização

Dr. Hugo Soares - Advogado

Nesta sexta-feira, 14 de novembro, é celebrado o Dia Mundial do Diabetes, a maior campanha global de conscientização sobre a doença, que hoje afeta mais de 500 milhões de pessoas no mundo. A data não foi escolhida ao acaso: ela marca o aniversário de Sir Frederick Banting, um dos pesquisadores responsáveis pela descoberta da insulina, em 1921, um marco que mudou para sempre a história da medicina.

Foto: Dr. Hugo Soares – Advogado especialista em Direito da Saúde e portador de Diabetes Tipo 1

Antes da descoberta da insulina, o diagnóstico de diabetes tipo 1 era praticamente uma sentença de morte. Crianças e adultos sobreviviam por poucos meses, submetidos a dietas extremamente restritivas e incapazes de controlar a glicose.

Em 1921, Frederick Banting, Charles Best e John Macleod conseguiram isolar a insulina, abrindo caminho para o primeiro tratamento eficaz do diabetes. Em janeiro de 1922, a primeira aplicação em um paciente, Leonard Thompson, o jovem canadense de 14 anos que estava morrendo em um hospital de Toronto, mudou tudo. Pela primeira vez, a humanidade tinha uma forma real de controlar a doença. A ciência devolvia esperança a milhões de famílias.

Hoje, um século depois, a evolução é gigantesca: sensores contínuos de glicose, bombas de insulina avançadas, algoritmos inteligentes e novas formas de insulina tornaram possível uma vida mais estável, segura e autônoma para pessoas com diabetes.

Apesar dos avanços, viver com diabetes ainda exige vigilância constante, disciplina e acesso a insumos e tecnologias, algo que nem sempre é garantido no SUS ou pelos planos de saúde.

Essa realidade se torna ainda mais preocupante diante de outro dado alarmante.

Nos últimos anos, o Brasil tem registrado um crescimento acelerado no número de diagnósticos de diabetes, especialmente em crianças e jovens. Muitas dessas crianças chegam ao hospital já em estado grave, frequentemente em cetoacidose diabética, uma emergência que pode ser fatal quando não identificada a tempo.
O mais alarmante: ainda há pessoas que morrem sem sequer receber o diagnóstico. Isso ocorre porque os sintomas iniciais como sede e urina excessivas, fome aumentada e perda de peso repentina, cansaço e fraqueza intensa, mudanças de humor e visão turva são frequentemente ignorados ou passam despercebidos.

É por isso que falar sobre diabetes não é apenas importante, mas necessário e urgente. Quanto mais informação chegar às famílias, escolas, profissionais de saúde e à comunidade, mais diagnósticos serão feitos no momento certo, evitando sequelas e salvando vidas.

Promover educação em diabetes e garantir um tratamento adequado não é apenas uma questão de qualidade de vida, é uma questão de segurança. Muitas das complicações graves do diabetes, como cegueira, amputações, insuficiência renal, AVC e infarto, decorrem justamente do descaso no acompanhamento, na educação em diabetes e, principalmente, na falta de acesso às tecnologias e insumos necessários. Quando o paciente não recebe insulinas adequadas, sensores de glicose ou materiais para o manejo diário, o risco de hipoglicemias severas e descompensações crônicas aumenta drasticamente. Por isso, o acesso pleno ao tratamento correto é um direito fundamental: ele protege a vida, evita internações e reduz o impacto humano e financeiro da doença para as famílias e para o sistema de saúde.

Muitos pacientes desconhecem seus direitos e acabam enfrentando dificuldades para obter medicamentos, sensores, bombas de insulina e insumos essenciais.

Como advogado e portador de diabetes tipo 1, tenho visto de perto esse desafio. Produzo conteúdo diário expondo minha rotina e trazendo educação em diabetes, justamente porque informação é ferramenta de sobrevivência.
E é justamente por isso que o Dia Mundial do Diabetes é tão importante: ele não fala apenas de uma doença, mas das vidas que podem ser transformadas quando há educação, acesso e acolhimento.

A legislação brasileira garante uma série de proteções aos pacientes, entre elas:

  • Fornecimento de medicamentos e insumos pelo SUS, quando necessários ao controle adequado da condição.
  • Cobertura obrigatória pelos planos de saúde de tratamentos, terapias, exames e tecnologias essenciais.
  • Prioridade na disponibilização de tratamentos de alto custo, quando comprovados como indispensáveis.
  • Direito de recorrer à Justiça quando qualquer desses direitos é negado.

Nos últimos anos, cresce o número de decisões judiciais favoráveis para obtenção de sensores, bombas de insulina e outros insumos fundamentais para manter o paciente em segurança.

O diabetes tipo 1 pode surgir em qualquer idade, inclusive na infância, e seus sintomas são frequentemente ignorados ou confundidos. Quanto mais pessoas forem capazes de reconhecer os sinais, mais diagnósticos precoces serão feitos, evitando quadros graves como a cetoacidose diabética.
Por isso, campanhas como o Dia Mundial do Diabetes reforçam que a informação é o primeiro passo para salvar vidas.

Neste Dia Mundial do Diabetes, o convite é simples, mas profundo:

Que cada pessoa possa conhecer mais, acolher mais e entender mais.

Porque por trás de cada aplicação de insulina, cada sensor, cada glicemia medida, existe uma história, uma família, um sonho de uma vida tranquila e uma luta diária pela saúde.

Como advogado, paciente e criador de conteúdo, sigo firme na missão de transformar essa realidade.
E Sete Lagoas tem um papel importante nesse diálogo: somos muitos pacientes e não podemos mais ser invisíveis. A conscientização precisa chegar às escolas, às famílias, aos profissionais de saúde e a toda a comunidade. Quanto mais disseminarmos informação de qualidade, mais vidas serão protegidas, inclusive aqui, na nossa própria cidade.

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