Pedir as bênçãos para os sábios e ancestrais para iniciar os trabalhos. É assim que a banda setelagoana Congadar fará, como se fosse um pré-lançamento do seu novo EP, com uma apresentação no mítico Beco do Repolho, no bairro Santa Luzia, em 31 de maio. O disco, que terá sete novas músicas, fala do conhecimento dos antepassados com letras fortes e o ritmo sagrado vindo das guardas de Moçambique.
Para início de conversa, este novo trabalho do Congadar é aguardado há meses – mas, o tempo se revela como sempre sábio. Como explica o músico Marcos Avellar, o Marcão, o disco é uma reverência à ancestralidade e nos orixás, como forças em uma construção de uma sociedade melhor: “É uma forma da gente contribuir para desmistificação desta manifestação religiosa e cultural para a sociedade, que ainda é muito estigmatizada”, relata.
Orixás são amor, força, conhecimento. E é com eles que o grupo quer levar seu novo trabalho. “Este foi um disco muito especial para se fazer. Ao contrário dos outros dois, este é uma continuação no último EP, Morro das Três Cruzes, que foi um norte para a gente fazer este disco”, diz Marcão.
“Queremos que o público essa ancestralidade, que é uma questão muito bonita”.
Para os mais ansiosos, a banda lançou há pouco tempo o single Legado Orum, que é uma das faixas que estarão presentes no novo trabalho – e Marcão já adianta: no mês de junho será lançada uma nova música, na primeira semana daquele mês.
E o disco? No dia 18 de julho, com previsão de lançamento com shows em Sete Lagoas, Belo Horizonte e outras cidades. Porém, esta apresentação que será feita no Beco do Repolho neste mês conhecerá com exclusividade boa parte desse EP. “Quem for vai conhecer e escutar pela primeira vez as músicas novas”, garante Marcão.
A bênção
A escolha do lugar para o show é uma conexão com a história de integrantes da banda. O Beco do Repolho é local originário da Guarda de Moçambique Imaculada Conceição, uma das mais tradicionais de Sete Lagoas e referência total para o Congadar. “Vem até antes [da banda], porque é a guarda que o Saúva [músico integrante] participa desde pequeno e que os meninos convivem”, confessa Marcão, que sempre pede a bênção e a permissão à guarda sempre que se possam regravar ou usar elementos daquela ordem.
“E para além disso, o Beco do Repolho é simbólico: é um espaço de resistência da cultura preta em Sete Lagoas”.
Para um novo futuro, devemos conhecer o passado – é uma das ações que o novo trabalho da Congadar quer deixar para seu público como um legado. E com o resgate do Beco do Repolho como essa referência negra de Sete Lagoas, o grupo fará esta apresentação, reverenciando o antepassado para um melhor provir.
SERVIÇO
Congadar no Beco do Repolho
Sábado, 31 de maio, às 19h
Beco do Repolho, Santa Luzia – Sete Lagoas
Entrada franca