O escritor Fabrício Carpinejar publicou uma reflexão sobre a morte do influenciador
Henrique Maderite
mineiro foi velado neste domingo (8)
Maderite morreu em decorrência de um infarto fulminante na sexta-feira (6). Para Carpinejar, o influenciador convidava o público a viver intensamente. De acordo com o escritor, as sextas-feiras vão “ficar órfãs” sem o humor de Maderite.
“Esperávamos o meio-dia de sexta-feira para que ele nos incentivasse a encerrar o expediente. Soava como o apito do fim de semana, a sirene do recreio, o berrante para a cerveja, a licença para nos despedirmos do trabalho e chamarmos os amigos e a família”, escreveu.
Maderite acumulou mais de 2 milhões de seguidores apenas no Instagram e ganhou fama com um bordão relacionado à celebração da sexta-feira.
“Sexta-feira, papai. Pode olhar aí, meio-dia. Meu filho, quem fez, fez. Quem não fez, agora pra frente esquece, porque não faz mais”, brincava ele em vídeos enviados em grupos para amigos ou publicados nas redes sociais.
Carpinejar lamentou, ainda, a partida precoce do influenciador, logo em uma sexta-feira (veja o texto completo no fim da matéria).
“Só não precisava ser tão cedo, tão precoce, aos cinquenta anos, deixando o sábado e o domingo sem ponte, sem fundamento, soltos e perdidos, carentes de uma sexta-feira que jamais irá se repetir”, escreveu.
Morre Henrique Maderite
Henrique Maderite, de 50 anos, foi
encontrado sem vida nessa sexta-feira (6)
Segundo a Polícia Militar (PMMG), o influenciador estava no “Haras Henrique Maderite”, localizado na Estrada Maracujá. A corporação foi chamada por uma rede de vizinhos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Corpo de Bombeiros (CBMMG) e a Polícia Civil (PCMG) também foram acionados.
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De acordo com informações da família,
Maderite faleceu em decorrência de um infarto fulminante
Em nota enviada à Itatiaia, a PCMG informou que “aguarda a conclusão de laudo pericial e necroscópico para atestar as circunstâncias e a causa da morte”.
Nascido em Belo Horizonte,
o influenciador acumulava mais de 2 milhões de seguidores
último vídeo de Maderite
Veja o texto completo:
“Ele nos convidava a viver intensamente. Só existia o presente, e o amanhã se mostrava incerto. Esperávamos o meio-dia de sexta-feira para que ele nos incentivasse a encerrar o expediente. Soava como o apito do fim de semana, a sirene do recreio, o berrante para a cerveja, a licença para nos despedirmos do trabalho e chamarmos os amigos e a família.
Seu bordão alegre nos inspirava a entender os nossos limites, a pôr de lado o que deu errado, a não insistir no que não tinha funcionado:
— Sexta-feira, papai. Pode olhar aí, meio-dia. Meu filho, quem fez, fez. Quem não fez, agora pra frente esquece, porque não faz mais — brincava.
Era o pretexto para largar a caneta, fechar o laptop, sair do e-mail.
Ele nos envolvia no poder mágico do pensamento, abrindo um portal do tempo para superar o passado e conquistar o futuro.
Invocava o sossego, o ócio do convívio, as pernas para o ar.
Havia uma amnésia do bem, perdoando as omissões e as lacunas das obrigações.
Tratava seus seguidores como seus bebês, numa rede que acumulava dois milhões de pessoas.
O empresário e influenciador mineiro Henrique Maderite partiu logo numa sexta-feira, 6 de fevereiro, de infarto. Esse dia ficará para sempre órfão de seu humor, de seu sarcasmo, de suas críticas ao governo, de suas trolagens com os mais próximos.
Ninguém mais brindará com a garrafa de long neck na câmera, num estalo seco que lembrava o de um coração disparado.
Tudo parece estranhamente premonitório. Será que seu inconsciente preparava o adeus? O destino acabou escolhendo o momento mais simbólico de Henrique.
Aconteceu em seu lugar predileto, junto dos cavalos que tanto amava e com os quais tanto conversava, na Ouro Preto em que buscava o refúgio do verde e a brisa das montanhas.
Só não precisava ser tão cedo, tão precoce, aos cinquenta anos, deixando o sábado e o domingo sem ponte, sem fundamento, soltos e perdidos, carentes de uma sexta-feira que jamais irá se repetir”