Entre os principais símbolos de
Belo Horizonte
Na semana do aniversário de 128 anos de Belo Horizonte, celebrado em 12 de dezembro, a Itatiaia veicula a série “Capital dos extremos: a BH de 128 anos repleta de história e desafios” com reportagens que mostram fatos históricos, curiosidades e desafios da cidade que abriga mais de 2,3 milhões de pessoas.
Lays Silva de Souza, historiadora e mestre em história social da cultura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisa que a primeira função dos mercados foi, e continua sendo, abastecer a capital mineira com alimentos.
“Por meio dos produtos que circulam nos mercados, é possível perceber a diversidade na cultura alimentar mineira, das cachaças, aos queijos, doces, carnes, frutos e frutas. Nos mercados de Belo Horizonte são comercializados gêneros provenientes das diferentes regiões de nosso estado”, afirmou.
A historiadora diz que os mercados tradicionais, que marcaram gerações de comerciantes e clientes, consolidaram-se porque se adequaram às necessidades de Belo Horizonte ao longo das décadas.
Entre os espaços que contribuíram para o desenvolvimento da cidade, Lays cita o
Mercado Central
Cruzamento de ruas próximas ao Mercado Municipal (hoje Mercado Central), em maio de 1961
CCOMS/APCBH
Inauguração de feira livre no bairro Padre Eustáquio, em março de 1976
CCOMS/ APCBH
Inauguração do Mercado Distrital do Cruzeiro, em dezembro de 1974
CCOMS/APCBH
Mercado Novo: de ‘elefante branco’ a polo de economia criativa
Luana de Abreu, jornalista e pesquisadora, estuda sobre a história do Mercado Novo. Ela conta que o espaço foi construído nos anos 1960 para substituir o antigo Mercado Municipal, atual Mercado Central, e tornar-se o maior centro comercial da
América Latina
“Queriam transferir a feira ao ar livre que era o Mercado Municipal para esse novo prédio. Acabou que os feirantes não permitiram que isso acontecesse, se organizaram em uma associação e compraram o terreno e ali se tornou o que hoje conhecemos como Mercado Central”, explicou.
No entanto, a construtora Sobrado, responsável pelas obras do novo espaço, entrou em falência, e a construção “virou um ‘elefante branco’ no Centro de BH”, afirmou Luana.
Luana de Abreu, jornalista e pesquisadora
Com o passar do tempo, o Mercado Novo começou a ser ocupado por públicos diversos. No primeiro andar, mestres de ofício de diferentes áreas se instalaram. Foi formado o maior parque gráfico de Minas Gerais.
O segundo e o terceiro andares continuaram abandonados, com centenas de lojas fechadas, até os anos 2010, quando o movimento do Mercado das Borboletas utilizou o espaço para festas, e a Cozinha Tupis e Distribuidora Goitacazes se instalou, em 2017, em um projeto de reocupação encabeçado pelo designer Rafael Quick.
“Pouco a pouco, o Mercado Novo reacendeu como o maior polo de economia criativa do estado e, hoje, é parada obrigatória para qualquer um que vier visitar Belo Horizonte”, disse Luana.
Mercados como atrativos de Belo Horizonte
Além de contribuir para o crescimento e atuar no abastecimento alimentar de Belo Horizonte, os mercados tradicionais também têm importância turística.
“Quem vem à Belo Horizonte precisa passar pela experiência de conhecer seus mercados e provar seus sabores, aromas e a beleza das produções artesanais de Minas Gerais”, disse Lays Silva de Souza.
Luana de Abreu analisa que o Mercado Novo complementa a experiência oferecida pelos outros espaços, pois apresenta aos visitantes uma combinação de empreendimentos jovens nos andares superiores e mantém a tradição que há décadas caracteriza a feira livre.
“O mais rico do Mercado Novo é sua diversidade. É um retrato de BH, é um lugar que bato no peito com orgulho para dizer que é nosso e recomendo para todos conhecerem um pedacinho do que somos. Sinto que esse movimento todo recuperou, também, nossa autoestima enquanto belo-horizontinos. Passamos a nos ver na medida em que fomos vistos”, afirmou a jornalista.