Barroso vota por descriminalizar aborto até 12 semanas em seu último dia no STF

Barroso vota por descriminalizar aborto até 12 semanas em seu último dia no STF

No seu último dia como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso votou pela descriminalização do aborto voluntário nas primeiras 12 semanas de gestação. O posicionamento, apresentado nesta sexta-feira (17), representa o segundo voto favorável dentro da Corte, que ainda precisará formar maioria entre os 11 ministros.

O voto de Barroso marca sua despedida do STF após 12 anos. Ele pediu uma sessão extraordinária no plenário virtual para expor sua posição antes da aposentadoria, que passa a valer neste sábado (18). Logo após a leitura, o ministro Gilmar Mendes solicitou que o julgamento seja transferido para o plenário presencial, sem data definida.

Barroso afirmou que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública e não como crime. “Ninguém é a favor do aborto em si. O papel do Estado é evitar que ele aconteça, oferecendo educação sexual, contraceptivos e apoio à mulher. O debate real não é ser contra ou a favor, mas decidir se uma mulher que passa por essa situação deve ser presa”, escreveu o ministro.

Ele destacou ainda que a criminalização afeta principalmente meninas e mulheres pobres, sem acesso ao sistema público de saúde, enquanto as mais ricas recorrem a procedimentos seguros em outros países. “As mulheres são seres livres e iguais, com o direito fundamental à sua liberdade sexual e reprodutiva. Se os homens engravidassem, o aborto já não seria crime há muito tempo”, concluiu.

A ação sobre o tema foi apresentada pelo PSOL em 2017 e pede a liberação do aborto até a 12ª semana de gestação. Atualmente, o procedimento só é permitido em casos de estupro, risco de morte para a gestante ou anencefalia do feto.

Foto: Victor Piemonte/STF

Fonte: g1 Política

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