O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, publicou uma nota em resposta a uma reportagem da revista britânica The Economist, na qual o ministro Alexandre de Moraes é citado. No texto, o veículo afirma que a Corte brasileira tem “poderes extremos”. O presidente do STF alegou que a reportagem adota a narrativa daqueles que “tentaram dar um golpe”.
“O enfoque dado na matéria corresponde mais à narrativa dos que tentaram o golpe de Estado do que ao fato real de que o Brasil vive uma democracia plena, com Estado de direito, freios e contrapesos e respeito aos direitos fundamentais”, disse o ministro.
Com o título “O Supremo do Brasil está em julgamento: como um juiz superstar apresenta uma concentração excessiva de poder”, a matéria do jornal britânico avalia que o STF deveria exercer suas atividades com maior “moderação”, ou poderá se tornar o centro de uma crise de confiança entre os brasileiros.
Barroso rebate: “Quase todos os ministros do tribunal já foram ofendidos pelo ex-presidente. Se a suposta animosidade em relação a ele pudesse ser um critério de suspeição, bastaria o réu atacar o tribunal para não poder ser julgado. O ministro Alexandre de Moraes cumpre com empenho e coragem o seu papel, com o apoio do tribunal, e não individualmente”.
Barroso também afirmou que o Brasil enfrentou uma “tentativa de golpe de Estado” e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes foram alvos de um plano de ataque terrorista.
Segundo o magistrado, foi necessário contar com “um tribunal independente e atuante para evitar o colapso das instituições, como ocorreu em diversos países do mundo, do Leste Europeu à América Latina”.