após demolição de casas em Felixlândia, ocupantes relatam fogo nos entulhos e pertences

Ocupantes do local mostram casas destruídas e fogo na madrugada / Foto: cedidas ao SeteLagoas.com.br

Pouco mais de 24h após a ação de desapropriação ocorrida às margens da represa de Três Marias, em Felixlândia, famílias lamentam pela perda das casas e dos materiais que ali estavam. Os ocupantes da área afirmam que não foram avisados da reintegração de posse e que não tiveram tempo para retirar móveis e outros pertences antes das máquinas realizarem o serviço.

Ocupantes do local mostram casas destruídas e fogo na madrugada / Foto: cedidas ao SeteLagoas.com.br

A reportagem conversou com uma família que tinha imóveis na região do Rancho Paraíso. Eles reconhecem que a ocupação era ilegal, mas lamentam a forma como as pessoas foram tratadas pelos agentes que cumpriram a ordem: “Minha tia está desolada, chorando, minha avó está desolada. Eles foram tratados como cachorros, como animais. Eles são seres humanos, eles tinham uma vida ali”, disse uma das pessoas que tem parentes com casas na região.

“Eles não foram informados, até porque a cidade é pequena, se tivesse jogado na internet ou tivesse eles comunicado, todo mundo teria no mínimo retirado as coisas”, e ainda afirma: muitos compraram os terrenos de terceiros. Além da destruição das casas, muitas delas feitas de lona, há relatos que indivíduos ainda não identificados voltaram durante a noite de quarta (3) e a madrugada de quinta-feira (4) e atearam fogo nos pertences e entulho que sobraram. O SeteLagoas.com.br recebeu imagens da ação.

“A minha mãe tá totalmente desolada, porque era um lugar que ela via com refúgio, ela tem depressão e faz tratamento. Não só ela, minha família, e eles são todos assim, porque era um lugar que eles iam para descanso. A gente queria sair do dia-a-dia da correria, pra poder ter um alívio da mente, descansar, e e eles destruíram os sonhos”.

Ação do Ministério Público Federal

A ação de reintegração de posse partiu de uma decisão do Ministério Público Federal (MPF) de denúncias da ocupação ilegal do Rancho Paraíso, que está empreendido em uma área de preservação permanente (APP). A região da represa de Três Marias, incluindo suas margens, pertence à União e tem legislação clara que impede a construção de edificações no local. Para o SeteLagoas.com.br, o órgão disse que a reintegração ocorrida nessa quarta-feira (3) corre em sigilo e que não poderia comentar sobre o assunto.

A CEMIG, que gerencia a Usina de Três Marias, tem responsabilidade sobre o cuidado do local. Por meio de nota, a concessionária informou que a desapropriação e demolição dos imóveis serve de “interromper a prática de graves crimes ambientais em área de segurança” e de alerta para outros ocupantes regularizarem sua situação (veja nota abaixo). Como publicado pelo SeteLagoas.com.br, a Procuradoria da República em Sete Lagoas já recebeu denúncias sobre a ocupação ilegal na represa em Felixlândia.

A Cemig informa que existe um procedimento investigatório criminal instaurado pelo Ministério Púbico Federal para apurar a prática de crimes ambientais em razão de ocupações irregulares em Área de Preservação Permanente às margens do reservatório de Três Marias.

Tratou-se de uma atuação conjunta do Ministério Público Federal, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Militar de Meio Ambiente de Minas Gerais e Cemig para interromper a prática de graves crimes ambientais em área de segurança e de preservação permanente, assim como para notificar eventuais moradores sobre a necessidade de regularização da área.

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