Antes de ser alvo da PF, Ramagem participou de ato que condenou ação contra Jordy

Um dia antes de ser alvo da Polícia Federal e ver seu gabinete e endereços em Brasília e no Rio de Janeiro sendo vasculhados por agentes da corporação, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) esteve na Câmara dos Deputados, onde participou de uma reunião com lideranças do PL, que articularam ações contra os inquéritos movidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que investigam políticos com foro. O encontro havia sido motivado pela 24ª fase da Operação Lesa Pátria que teve o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) como um dos alvos.

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Assim como Ramagem, Jordy também teve sua residência e seu gabinete na Câmara dos Deputados visitados por agentes da PF, que cumpriram mandados de busca e apreensão. A queixa dos deputados de oposição é que os ministros do STF, em especial o ministro Alexandre de Moraes, têm cometido excessos e invadido prerrogativas do Legislativo.

No encontro, com a presença de Ramagem, eles cobraram uma ofensiva dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), contra a Suprema Corte.

Da reunião no gabinete do PL, que ocorreu na quarta-feira, participaram, pelo menos, 25 parlamentares. Após o encontro, Carlos Jordy foi ao Salão Verde e criticou a ação da Polícia Federal contra ele. “O que está acontecendo é uma pesca probatória para pegar algo no meu celular. Somente em ditaduras líderes da oposição são perseguidos”, declarou.

Nesta quinta-feira, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) tem um encontro com o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, onde pretende externalizar as críticas contra essas operações autorizadas pelo Supremo e também pedir a suspeição do ministro Alexandre de Moraes do inquéritos que apuram crimes cometidos no dia 8 de janeiro, sob a alegação de que o ministro também é vítima e, portanto, não teria legitimidade e impessoalidade para julgar as ações.

Em declaração dada ao blog da jornalista Andrea Sadi, do G1, nesta quinta-feira, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que a legenda está sofrendo uma perseguição judicial por conta da presença do ex-presidente Bolsonaro. “Isso está claro, a perseguição que estão fazendo no PL por causa do Bolsonaro. Isso é uma perseguição”, disse Valdemar.

Entenda a operação
A Polícia Federal (PF) cumpre na manhã desta quinta-feira (25) mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrarem uma organização criminosa que se instalou dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação tem como um dos alvos o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que presidiu a agência à época e seria responsável por conduzir um esquema de espionagem ilegal de autoridades e adversários políticos do governo.

As buscas nesta manhã ocorrem dentro do gabinete de Ramagem, no Congresso Nacional, e no apartamento funcional da Câmara, que é ocupado por ele em Brasília. Ao todo, a PF cumpre 21 mandados de busca e apreensão, sendo 18 em Brasília (DF), um em Juiz de Fora (MG), um em São João del Rei (MG) e outro no Rio de Janeiro (RJ).

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