Diferentemente como foi apresentado pela produtora do evento Ira! Acústico 20 anos, cancelado há uma semana em Sete Lagoas, os agenciadores da banda reclamam de calote na contratação, que chega a mais de R$ 190 mil. O caso pode parar na Justiça; a empresa foi notificada e o prazo para pagamento já se encerrou.
O show estava marcado para a última sexta-feira (3). A produtora do evento Palco 1 Entretenimento, localizada em São Paulo, informou através de e-mail no último dia 29 de setembro aos compradores que “polarização política momentânea”, o baixo interesse do público e “saída de parceiros patrocinadores importantes” impossibilitaram a viabilidade do evento. A empresa se comprometeu a ressarcir aqueles que adquiriram aos ingressos.
Porém, não é o que diz a agenciadora oficial do Ira!. Contactada pela produtora em fevereiro deste ano, a empresa percebeu que a produtora não estava realizando os trabalhos necessários para divulgar o evento em Sete Lagoas: “Eles [produtora] se apegam para dar essa desculpa esfarrapada do fato de eles não terem recursos. Como é que eles podem colocar a culpa numa banda sem que os caras não fizeram uma chamada de rádio e não botaram uma faixa na cidade? Não fizeram uma campanha nem sequer pela internet. A única mídia que esses caras tinham ainda saiu com a mídia errada”.
A Palco 1 Entretenimento contratou inicialmente o Ira! Acústico 20 anos para a cidade de Governador Valadares. Em maio, a empresa procurou os agenciadores para mudar o local para Sete Lagoas, mantendo a data de 3 de outubro. Os valores do contrato foram divididos em sete parcelas; porém, a partir de julho, a produtora não realizou os pagamentos, de acordo com a agenciadora. São reclamadas quatro parcelas.
Os agenciadores afirmam ao SeteLagoas.com.br que, desde a contratação do evento, os organizadores não cumprem com o que foi acordado e ainda estranham o argumento de polarização política que motivou o cancelamento: “Eles só não estão explicando por que a gente está com um show lotado em Belo Horizonte e por que a gente fez todas essas praças [ao menos sete eventos em Minas Gerais], inclusive está lotando lá em Juiz de Fora”, contam. O último evento realizado no estado pela banda foi no BeFly Hall, na capital, no sábado (4).
“O cara vem agora, nessa altura do campeonato, a gente com um show lá com quase 3 mil pagantes em Belo Horizonte, o cara vem falar de polarização?”
O SeteLagoas.com.br teve acesso a notificação feita pelos agenciadores contra a Palco 1 Entretenimento. Além da inadimplência, está sendo cobrada a quebra de contrato de forma unilateral. Ao todo, está a ser reclamado o valor de R$ 197 mil. A notificação já endereçada aos responsáveis da produtora, que são moradores do estado de São Paulo.
A agência representante do Ira! ainda se surpreende do porquê da Palco 1 Entretenimento fazer eventos em Minas Gerais. Em alguns locais, como foi visto pela reportagem no perfil oficial no Instagram, eventos foram remarcados ou cancelados.
Questionados pela reportagem, a produtora do evento reafirmou que o evento teve baixa procura: foram 114 ingresso vendidos. A devolução está sendo feita através da Ingresso Nacional, a tiqueteira oficial:
“COMUNICADO
Suspensão Show Ira Sete Lagoas.
A Produção do Show da Banda Ira, com previsão para o dia 03 de outubro em Sete Lagoas – MG, em virtude de uma polarização política momentânea, está suspendendo a realização do evento.
A inviabilização é devido ao pouco interesse pelo público, e a saída de parceiros patrocinadores importantes, tornando inviável a sua realização.
Os poucos ingressos adquiridos (114 ingressos), podem ser solicitados a partir do dia 03/10, na mesma plataforma onde foi adquirido.
Pelo incômodo, pedimos desculpa.”

Polêmica
Neste ano, o Ira! – e principalmente o vocalista da banda, Nasi – se viram imersos na discussão política antagônica existente no Brasil. Em um show em Contagem, no mês de janeiro deste ano, o frontman se manifestou contra a anistia aos vândalos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro e, vaiado por algumas pessoas, acabou pedindo para que elas deixassem o evento: “Tem gente que acompanha o Ira! e é reacionário e é bolsonarista, isso não tem nada a ver, gente! Por favor, vão embora! Vão embora da nossa vida! Vão embora e não apareçam mais em shows, não comprem nossos discos, não apareçam mais”.
Após o episódio, alguns eventos que iriam acontecer em cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram cancelados. Em entrevista à Billboard Brasil, Nasi viu o cancelamento com naturalidade, porém acredita que o movimento de repúdio seria fabricado: “É engraçado porque até o contratante falou que recebeu mensagens de pessoas de Manaus, algo como ‘ah, eu não vou no show’. O cara nem ia no show! Esses caras que estão enchendo o saco aí, robozinho… Todo mundo sabe como o gabinete do ódio age, né? Daqui a pouco eles pegam outro para Cristo. Numa boa, o Ira! saiu maior do que entrou nessa história”, comenta.