Lula faz nova cobrança ao Banco Central por redução na taxa de juros

Durante o anúncio de medidas voltadas para empresas afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul realizado nesta quarta-feira (29), no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar do Banco Central (BC) a queda da Taxa Selic, referência para os juros no Brasil.

A cobrança se soma a um esforço que vem sendo conduzido pelo governo e pelo PT para comover o presidente do BC, Roberto Campos Neto, pela redução mais significativa da taxa.

Ao comentar as medidas de apoio financeiro, Lula comentou que os juros oferecidos pelo governo nas linhas de crédito estão abaixo do valor de mercado e que o esforço deveria ser reconhecido pelos agentes responsáveis por determinar a taxa básica de juros no país.

“Eu espero que o presidente do Banco Central veja a nossa disposição de reduzir a taxa de juros e ele, quem sabe, colabore conosco reduzindo a Taxa de Selic para a gente poder emprestar a taxas de juros e a spread ainda mais barato”, comentou o presidente.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a Taxa Selic sofreu um corte de 0,25 ponto percentual, passando de 10,75% ao ano para 10,5% ao ano. Foi a sétima queda consecutiva, mas com ritmo aquém do esperado pelo governo. Ontem, em um evento em São Paulo, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a “decisão foi técnica”.

Presidente do PT solta o verbo

A fala do presidente se soma a revolta do Partido dos Trabalhos que acusa o BC de atuar politicamente para minar os esforços de recuperação econômica conduzidos pelo governo Lula. Campos Neto foi indicado para o cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tem mandato para permanecer à frente do Banco Central até o fim de 2024.

Nas redes sociais, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann acusou o Comitê de ‘manipular informações’. “Os dados divulgados ontem pelo IBGE confirmam que a inflação está sob controle e tende a cair mais nos próximos meses, acompanhando a redução em núcleos importantes como alimentação e serviços. É exatamente o contrário do que dizem o mercado e o presidente do BC, que manipulam informações para pressionar a manutenção da maior taxa de juros do planeta”, disse.

A deputada federal pelo Paraná também defendeu uma tentativa de investigação sobre as decisões do Copom conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), que entrou com um pedido junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para identificar “eventuais desvios” de finalidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na definição da Selic.

“A análise do tal Boletim Focus, que só ouve bancos e corretores, indicam a atuação de um cartel criminosos que faz projeções pessimistas da inflação para pressionar os juros. O BC de Campos Neto vai terminar como um caso de polícia”, disse Gleisi.

O Banco Central foi procurado pela Itatiaia, mas ainda não se pronunciou.

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