8 de janeiro: Dino lembra ordem dada a auxiliares do Ministério da Justiça para conter invasões

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, relembrou, neste domingo (7), as providências que tomou a reboque dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro do ano passado. Ele disse ter orientado os secretários da pasta a “comandar pessoalmente” a Polícia Militar no enfrentamento aos manifestantes.

“O Presidente da República decidiu decretar a Intervenção Federal. Chamei os secretários (Ricardo) Cappelli (nomeado Interventor) e Diego Galdino (adjunto de Cappelli), que trabalham comigo desde o Governo do Maranhão. Mostrei a conflagração na Praça dos 3 Poderes e orientei: ‘desçam lá e comandem pessoalmente a polícia militar do DF’.”, escreveu, na rede social “X”.

Segundo Dino, Cappelli e Galdino “concordaram sem vacilar” com a ordem. “No auge da tensão, lembrava o passo a passo dos dias 31 de março e 1º de abril de 1964. Li muito sobre esse golpe e tais leituras me ajudaram na hora decisiva de assessorar o Presidente da República. A história não se repetiu e a democracia venceu”, completou o ministro, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir assento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Dino contou que, assim que soube das invasões ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e à sede do STF, resolveu ir ao edifício onde funciona o Ministério da Justiça. Segundo ele, a medida serviu para evitar o que chamou de “vazio de poder”.

“Olhei pela janela do Ministério da Justiça quando lá cheguei e temi um efeito ‘dominó’ em outros pontos do território nacional. Consultei o Presidente da República sobre um ‘cardápio’ de possibilidades constitucionais. Ele determinou a Intervenção Federal. Eu e a assessora Letícia redigimos o Decreto no celular. Esse decreto, escrito em minutos, faz parte da história da vitória da democracia”, explicou, ao relatar a decisão por federalizar temporariamente a Segurança Pública no Distrito Federal.

Múcio: 8 de janeiro ‘nunca mais’ se repetirá

Mais cedo, em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, também recordou os impactos dos atos antidemocráticos — que, segundo ele, “nunca mais” vão acontecer como visto no ano passado.

“Não haverá nunca mais. Aquilo foi um alerta. Tiramos algumas coisas positivas daquilo. Algumas precauções que não tivemos naquele momento, hoje, temos todas. O ambiente do governo e da classe política com a classe militar é o mais pacífico possível. O ambiente é de concórdia. Todos com a responsabilidade de servir ao país”, afirmou.

Ainda segundo Múcio, Exército, Marinha e Aeronáutica estavam “absolutamente a favor da Constituição”.

“É como em um clube de futebol: você tem um jogador indisciplinado no jogo e tira o indisciplinado, mas o time continua. Eles não queriam golpe. Em momento nenhum se falou nisso. Não houve um que dissesse ‘eu quero um golpe’”, comparou.

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