Vereador que invadiu UBS antes da morte de paciente distraiu médica, diz advogada

Se pronunciou a advogada da médica Larissa Vieira, responsável pelo atendimento do paciente que faleceu na UBS (Unidade Básica de Saúde) após o vereador Wladimir Canuto, do Avante, invadir a sala de emergência do local. O caso aconteceu em Felício dos Santos, na Região Central de Minas Gerais, nessa segunda-feira (3)

Em nota enviada à Itatiaia, a advogada Amanda Bernardes (OAB/SP 411.758) afirmou que “a invasão e os questionamentos do vereador desviaram momentaneamente a atenção da médica”.

O paciente tinha um quadro de parada cardiorrespiratória. Bernardes afirma que Wladimir Canuto interrompeu o procedimento para “questionar quem era a médica responsável e qual era o seu nome completo” e, depois, provocou tumulto nos corredores da unidade de saúde.

“A invasão e os questionamentos do vereador desviaram momentaneamente a atenção da médica, que precisou exigir a retirada do político para seguimento do atendimento, o que gerou um ambiente de extrema tensão, afetando obviamente a concentração da equipe de saúde e comprometendo, por isso, a condução do atendimento que demandava o acompanhamento, segundo a segundo, da resposta do organismo do paciente registrada pelos aparelhos”, diz a nota.

“A Dra. Larissa Vieira lamenta profundamente o ocorrido e reafirma seu compromisso com a ética, a medicina e o atendimento humanizado à população”.

Nota assinada por Amanda Bernardes, advogada da médica Larissa Vieira.

Objetivo é evitar novas invasões

Em entrevista à Itatiaia, a médica lamentou casos semelhantes que acontecem por todo o Brasil. “A entrada de qualquer pessoa não habilitada em uma sala vermelha para questionar a equipe dentro de uma situação completamente delicada de um paciente é algo gravíssimo e que, infelizmente, tem se tornado rotina nos hospitais brasileiros”, diz.

Amanda Bernardes afirmou que seu principal objetivo é evitar que o vereador Wladimir Canuto promova novas invasões em unidades de saúde em Felício dos Santos e chamou a atitude do político de “ações circenses”.

“Ele afirmou, inclusive, naquele vídeo de desculpas, que ele faria novas. Então, nosso foco judicial, e iremos pedir providências à Justiça nesse sentido, para coibir e proibir novas invasões desse vereador”, afirma.

O caso

Um paciente cardíaco de emergência faleceu após a invasão do vereador Wladimir Canuto, do Avante, à sala de emergência de uma UBS em Felício dos Santos, na Região Central de Minas Gerais, nessa segunda-feira (3).

O vereador se pronunciou e alegou que foi ao local após receber reclamações de demora no atendimento na unidade de saúde. Ele procurou pelos médicos que atendiam no local e interrompeu o trabalho da médica que estava na “sala vermelha” com o paciente que veio a óbito.

Os funcionários alegam que Wladimir “agiu com extrema arrogância e desleixo quanto ao risco do paciente, o que desestabilizou a equipe e impediu que o monitoramento fosse contínuo”, de acordo com informações do boletim de ocorrência.

Em nota, a Prefeitura de Felício dos Santos chamou de “vil e ardilosa” a ação do vereador e considerou “abrupta e injustificada” a invasão.

Em conversa com a Itatiaia, o vereador Wladimir Canuto disse ser o único vereador de oposição na cidade. “Existe uma indignação muito grande da administração em cima de mim, são oito vereadores e o Prefeito contra mim”, disse o vereador, que acredita que as fiscalizações que promove incomodam.

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