Mulher que matou marido envenenado com chumbinho em MG é condenada a 16 anos de prisão

A Justiça de Minas Gerais condenou Karolina de Paiva, de 29 anos, a 16 anos de prisão, em regime fechado, por matar o próprio marido envenenado com chumbinho. A mulher foi julgada pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (10), dia que seria o aniversário do Denis.

Denis Carneiro foi morto aos 38 anos no dia 11 de fevereiro de 2023, em Itabirito, na região Central de Minas. Segundo o Ministério Público, o crime foi motivado por ciúmes e ganância. Karolina queria ficar com a casa, o carro e um seguro de R$ 55 mil do companheiro.

A mulher estava presa desde abril e aguardava o julgamento na cadeia. O caso foi levado a júri popular e começou a ser julgado em novembro do ano passado. No entanto, a defesa de Karolina abandonou o júri e a sessão foi interrompida. A juíza, então, reagendou o julgamento para janeiro.

‘Já era um dia difícil e foi muito pior’, diz irmã

Lidiane Carneiro Silva, irmã da vítima, conta como foi a reação da família ao passar o dia do aniversário de Denis assistindo ao julgamento de sua assassina.

“O júri foi marcado exatamente na data do aniversário dele. Então, já era um dia difícil e foi muito pior pelo fato da gente passar dentro de um tribunal. A gente sempre comemorava o aniversário dele, ele gostava de comemorar. Mas graças a Deus, a justiça foi feita no final. A gente fica com um breve sentimento de conforto, mas nada vai trazer meu irmão de volta. Pelo menos temos a sensação de dever cumprido”, diz.

Airton Silva, pai de Denis, afirmou que a defesa mentiu durante o julgamento e classificou o depoimento da ex-nora como “nojento”.

“Só quem perdeu um filho sabe. Eu vi o depoimento dela e foram muitas mentiras. Foi muito nojento. A defesa mentia descaradamente, parece que eles não têm filho. Se eles tiverem, tenho até dó dos filhos deles. Eles fizeram um teatro com o corpo do meu filho. Para a gente aqui fora 16 anos é rápido, mas lá dentro é um inferno. Ela vendeu a alma para o diabo porque quis. É o lugar dela. Se ela conviver em sociedade, pode fazer a família de outra pessoa chorar”, afirma.

Pai de Denis afirma que filho vivia dopado pela esposa

No dia do crime, Denis passou mal quando estava a caminho de Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, para visitar os pais. Ele chegou a ligar e mandar mensagens para a esposa, mas morreu em Itabirito.

Segundo relatos da família, em março de 2022, a vítima chegou a ficar internada em um hospital de Betim por nove dias, sendo dois no CTI, com suspeita de envenenamento.

À Itatiaia, o pai de Denis contou que desconfiava que o filho era dopado por Karolina.

“De 2020 para cá, se você olhar os prontuários médicos, é doloroso. Você vê a frieza da mulher. Ela deixava meu filho vegetando em casa e ia trabalhar numa boa. Meu filho nunca acreditou, mas eu falava para ele: ‘essa mulher está te dopando, ela está tentando te matar’”, relembra.

Airton ainda relatou que a defesa tentou justificar o crime dizendo que Denis seria alcoólatra. “Foi provado que não tinha álcool no corpo, o fígado estava totalmente normal. Tentaram ir até para a linha do suicídio”.

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