Após autorização de corte de árvores na UFMG, universidade diz que não se responsabiliza

Após a autorização do Conselho Municipal do Meio Ambiente, na última terça-feira (30), para que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) possa suprimir cerca de 300 árvores para construção de um novo prédio no Parque Tecnológico (BH TEC), personagens procurados pela Itatiaia, que estão envolvidos em manifestações contra recentes cortes de árvores na região da Pampulha, no entorno do Mineirão, preferiram não se manifestar sobre a possibilidade de supressões dentro da universidade.

Segundo o documento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, as árvores que serão cortadas ficam no terreno do BH TEC, em uma Área de Relevância Ambiental às margens da avenida Presidente Carlos Luz e do Anel Rodoviário. O prédio que será construído terá cinco andares, sendo três pavimentos superiores e dois no subsolo.

O documento traz a relação de todas as 274 árvores que serão suprimidas. Pau-jacaré, cedro, assa-peixe, ipê-rosa e jacarandá-de-espinho. A relação também traz 15 unidades de ipê-amarelo (Handroanthus ochraceus), espécies que são protegidas por uma lei estadual. O documento ainda traz a existência de Annonnas, ‘que são consideradas vulneráveis pela legislação vigente’. Para compensar a supressão, a UFMG deverá plantar 252 árvores e 1.080 mudas, sendo 75 delas de ipê-amarelo ‘catalogadas e identificadas’.

Deputadas não comentam autorização de cortes de árvores dentro da UFMG

A deputada federal Duda Salabert (PDT), em fevereiro deste ano, chegou a entrar com ação no Tribunal de Contas do Estado alegando irregularidades em licitação, e afirmando que a supressão de árvores previstas para a realização das obras da Stock Car era irregular.

Procurada pela reportagem, a assessoria da deputada afirmou que não havia sentido haver algum comentário da parlamentar, e que quem deveria se posicionar seria a própria UFMG. Disse ainda que a posição da deputada questionava a não aprovação dos órgãos competentes, denunciando manobra para haver execução das obras sem aprovações necessárias. E que, no caso específico das árvores que podem ser cortadas para construção de prédio no BHTec, é uma licença para construção de um prédio, e não de um evento, sendo situações distintas.

A deputada estadual Bela Gonçalves (PSOL) é uma das parlamentares que assinou representação no Ministério Público de Minas Gerais, em fevereiro deste ano, contra a realização da Stock Car na Pampulha, questionando a supressão de 73 árvores no entorno do Mineirão. Na ocasião, também solicitaram estudos de impactos urbanísticos, ambientais e patrimoniais aos organizadores do evento.

Procurada pela reportagem, a deputada, através de assessoria, informou que o dia estava muito atribulado em função da votação do Regime de Recuperação Fiscal, que estava prevista para acontecer na nesta quinta-feira (01), e portanto, não poderia responder sobre o assunto no momento.

UFMG chama questionamento de “inadequação”, e diz não responder pelo parque tecnológico

A Universidade Federal de Minas Gerais preferiu se manifestar por nota, que também foi divulgada em redes sociais. Ela afirma que é estranho ter que se posicionar sobre o parecer da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tendo em vista que a questão volta a ser assunto no momento em que a UFMG atua judicialmente para cancelar a corrida Stock Car no entorno do campus Pampulha. E disse ainda ser inadequado responder, tendo em vista que a universidade não responde pela Associaçao Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC). Vale ressaltar que a UFMG é um dos sócios fundadores do BH-TEC.

Veja a nota na íntegra:

“A Universidade Federal de Minas Gerais recebe com estranheza o pedido de esclarecimento sobre o parecer da Secretaria Municipal de Meio Ambiente para construção a ser realizada no Parque Tecnológico BH TEC. Primeiro, pela temporalidade, já que, mais uma vez, a questão surge no momento em que a UFMG reitera judicialmente o pedido de cancelamento da corrida Stock Car no entorno do campus Pampulha, por não ter sido apresentada, até o momento, ação concreta para mitigação dos impactos. Segundo, pela forma, já que a Universidade toma conhecimento, mais uma vez, e é instada a se posicionar sobre o assunto na imprensa, antes mesmo de qualquer acionamento nas instâncias legais devidas. E por fim, mas talvez o mais relevante, pela inadequação, uma vez que a UFMG não responde pela associação Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), que é uma figura jurídica distinta e que tem como sócios não apenas a Universidade, mas também o Governo do Estado de Minas Gerais, a Prefeitura de Belo Horizonte, a Fiemg e o Sebrae MG.”

BH-TEC confirma que está ampliando espaço, mas respeitando área verde

Após a UFMG tocar a bola para a BH-TEC, o Parque Tecnológico respondeu, também por meio de nota, que de fato está em ampliação dos espaços, para dar sequência aos trabalhos de transferência de tecnologias para a sociedade. Na resposta, o BH-TEC não respondeu diretamente sobre o corte de árvores, mas disse que o terreno tem áreas de construção, e áreas de preservação ambiental.

Veja a nota na íntegra:

“A associação Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC) – que tem como sócios a UFMG, Governo do Estado de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte, Fiemg e Sebrae/MG – esclarece que tem personalidade jurídica própria, distinta de seus associados, e entrou com processo relacionado à sua expansão por meio da construção de novo edifício na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte. Nesta manhã (01/08), recebeu email deste órgão informando que “o processo foi avaliado ontem pelo COMAM” e que “em breve a autorização será emitida”.
O Parque Tecnológico está localizado em terreno com parcelamento de solo aprovado pela Prefeitura de Belo Horizonte em 12 de setembro de 2008 (conforme planta registrada sob nº CP 262-022-M) e em terreno dividido em duas grandes áreas, conforme a legislação urbanística: uma classificada de “Grandes Equipamentos Econômicos” e a outra “Zona de Preservação Ambiental”.
Devido à sua pujança em transferência de tecnologias para a sociedade e fomento à inovação, o Parque está em ampliação física alinhada ao seu Plano Diretor, de conhecimento público, na área de “Grandes Equipamentos Econômicos”, respeitando plenamente o zoneamento e regulamentações urbanísticas da cidade e já possui as devidas licenças ambientais.”

Representantes de associações de bairro da Pampulha não respondem sobre o assunto

A Itatiaia também procurou associações de bairro que representam os bairros Bandeirantes, Ouro Preto, São Luiz e São José, na região da Pampulha. Até o fechamento desta reportagem, apenas uma representante do bairro Ouro Preto chegou a afirmar que iria se posicionar sobre o tema, mas até o fechamento desta reportagem, ainda não havia respondido.

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