A Justiça marcou a data da primeira audiência de instrução e julgamento do funkeiro de 31 anos acusado de vender ‘iPhones de argila’ para um casal no bairro Camargos, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. O investigado, conhecido como ‘MC Dugaaoo’, responde por extorsão e ameaça (relembre o caso no fim da matéria).
A audiência foi marcada para a manhã de 24 de julho. A audiência de instrução é a primeira etapa de um julgamento, em que as partes apresentam provas e argumentam diante do juiz. Além disso, testemunhas são ouvidas e debates para esclarecimento de fatos podem ocorrer. Para esta primeira audiência, foram convocadas as testemunhas envolvidas no caso, além do próprio acusado, que deve participar de forma virtual.
Em nota, a advogada Ágatha Keyla Lima de Almeida, que representa o acusado, afirma que a investigação descartou que o seu cliente tenha usado uma arma de fogo durante o contato com as vítimas por conta da falta de provas. ‘Além disso, restou comprovado que os aparelhos estavam com as caixas lacradas, reforçando a nossa defesa de que o Daniel não tinha ciência do que tinha dentro das caixas, já que apenas revendeu os itens adquiridos de um terceiro pela internet. A defesa segue trabalhando para comprovar que não houve a prática do crime de extorsão, pois toda a negociação foi feita pacificamente e busca demonstrar durante o andamento processual que o investigado é inocente’.
iPhones de argila
‘MC Dugaaoo’, de 31 anos, foi preso no dia 25 de abril pelo crime de extorsão, após vender ‘iPhones de argila’ para um casal na região do Camargos, em Contagem. O mandado de prisão preventiva foi cumprido durante a ‘Operação João de Barro’, pela Polícia Civil de Minas Gerais, no bairro Camargos, na região Noroeste da capital. O suspeito tem quase 300 mil seguidores nas redes sociais.
Segundo as investigações da equipe da 1ª Delegacia de Polícia Civil Barreiro, a vítima, de 36 anos, negociou a compra de dois celulares no valor total de R$ 13 mil anunciados pelo suspeito por meio de página de rede social. Ela entrou em contato com o vendedor e um ponto de encontro para a transação foi definido pelo investigado.
No dia do crime, em fevereiro deste ano, o funkeiro entregou as duas caixas lacradas à vítima, que, ao receber os produtos, quis conferi-los. Porém, quando tentou abrir uma das caixas, o investigado afirmou que ela não deveria tirar o lacre e começou a ameaçar ela e o companheiro dela, de 29 anos.
Segundo detalhes da ocorrência, o homem afirmou que estava armado e que a mulher deveria realizar o pagamento via PIX imediatamente. A vítima realizou a transferência do valor para a conta de um terceiro. Logo depois, o suspeito fugiu em um veículo. Após o golpe, o casal abriu as caixas e se deparou com dois iPhones feitos de argila.
Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (25), os delegados da Polícia Civil Gislaine Rios e Gabriel Teixeira afirmaram que o suspeito negou o crime. A polícia afirmou que não há informações de outras vítimas. Após os procedimentos de polícia judiciária, o indivíduo foi encaminhado ao sistema prisional e está à disposição da Justiça.
‘O autor negou a autoria do crime, alegando que tinha desconhecimento do que se tratava. Mas, ele não quis devolver o valor repassado pela vítima e tirou o valor da conta bancaria logo que recebeu. Então, há vários elementos que caminham para o indiciamento do autor pelo crime de extorsão’, disse o delegado.