A Justiça deve decidir nesta sexta-feira (28) se mantém presos ou não os membros da família Bacha e outras pessoas envolvidas em um esquema de fraude financeira, que teria desviado 35 milhões de reais de três empresas da região metropolitana de Belo Horizonte. A empresária Samira Monti Bacha, de 40 anos, que foi presa nessa quarta-feira (27), em Nova Lima, é apontada pela polícia civil como cabeça desse esquema, que tirava dinheiro de um grupo empresarial do ramo de emissão de cartões de benefícios e antecipação de créditos recebíveis, e lavava esse dinheiro comprando bens de luxo, como joias.
Também estão presos o irmão de Samira, Leonardo Monti Bacha, a dona de uma joalheria em Nova Lima, Simony Esteves Viana, e outro homem, Pedro Augusto Cotta Rodrigues. Ontem, aconteceu a audiência de custódia desses presos, que é quando é decidido se eles permanecem detidos ou não.
Nesse procedimento, a justiça indeferiu o pedido da defesa para a liberdade, pedindo que a polícia civil colhesse o depoimento deles, o que foi feito durante a tarde. Além disso, a Justiça concedeu um prazo de 24 horas, que termina hoje, para o Ministério Público analisar todo o processo e poder definir se é a favor ou contra a manutenção das prisões. O juiz também decretou sigilo sobre o caso.
Desvios
Antes dessa decisão, o delegado responsável pelo caso, Alex Machado, conversou com a imprensa sobre a investigação. Ele disse que Samira comprava joias e outros bens de alto valor, como bolsas e relógios caros, para lavar o dinheiro desviado. Ela também passou a fazer várias viagens para Dubai com o mesmo objetivo. ”Nós obtivemos documentação, de que ela fez compras em Dubai de 150 e 180 mil dólares’’, explicou Machado.
Samira é investigada também na Receita Federal, onde é registrada como sócia de quatro empresas de soluções financeiras e investimentos, uma consultoria e uma joalheria.
Cerca de um mês após o início dos levantamentos, inclusive com a coleta de informações em auditoria da empresa, policiais civis identificaram que os valores desviados teriam sido convertidos ou ocultados em bens de luxo, como carros, viagens internacionais, joias e metais preciosos.
Nas viagens a Dubai, a suspeita de ser mandante do esquema trouxe várias joias e se associou com uma joalheria na região de Nova Lima. No momento da prisão, a empresária estava no próprio apartamento avaliado em R$ 6 milhões. O imóvel fica em um condomínio de alto padrão.
Em um primeiro momento, a suspeita teria devolvido ao grupo cerca de R$ 4 milhões em bens de alto valor, além de R$ 800 mil por meio de Pix, após ser confrontada pelas vítimas. Posteriormente, a mulher passou a negar o crime e ocultar o restante desviado, além de coagir testemunhas relacionadas com a investigação.
As investigações apontam que Samira comprava e lucrava com os cartões de créditos da empresa. Quando chegava a faturar, ela mandava cancelar essa fatura e renovar o crédito. “Nós verificamos que ela não conseguia comprovar a origem desse material, não tinha sequer uma nota fiscal para se apresentar para os policiais”, conclui o delegado da PC.
A reportagem da Itatiaia está em contato com a defesa dos suspeitos, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.