Aleluia! – Rádio Itatiaia

Claro que posso estar errado, movido por entusiasmo e otimismo demais diante das diferenças que conhecemos entre planos, discursos e efetivas providências. Mas, se não ficar apenas no papel, o acordo assinado nessa terça e que diz respeito ao chamado vetor Sul é a mais concreta, feliz e esperada providência já adotada nas últimas cinco décadas para humanizar os limites dos municípios de Belo Horizonte e Nova Lima.

Os ouvintes da Itatiaia são testemunhas do quanto repeti, nos anos 80 e 90, que, diante da quantidade de paliteiros que estavam construindo na Vila da Serra, não teríamos lugar sequer para depositar tanto cocô; e as ampliações desesperadas da estação de tratamento de esgoto próximo ao Vale dos Cristais comprovam isso.

Quanto ao trânsito, foi nossa, da Itatiaia, há uns 10 anos, a principal iniciativa de pressão para construção daquela alça ridícula que leva os carros procedentes da 040 para a estrada de Nova Lima. Ridícula, malfeita e incapaz, mas, não fosse ela, o entorno do Bh Shopping já estaria absolutamente parado há bom tempo.

O sufoco continua. E a omissão das autoridades até aqui pode ser qualificada de criminosa. Mas, depois que o brigão Kalil deixou a Prefeitura de Belo Horizonte, o procurador-geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares, encontrou campo fértil para aproximar as duas prefeituras, seus colegas do Ministério Público, o governo federal e o governador de Minas. O acordo saiu.

Agora, as prefeituras têm 180 dias para a apresentação do projeto final. Até o momento, o escopo elaborado pelo arquiteto e urbanista André Pessoa conta com praças, mirantes, trilhas ecológicas e a construção da Avenida Parque, que pretende ligar o Bairro Belvedere ao Vila da Serra, Jardim da Torre, Vale do Sereno, Jardim das Mangabeiras e Piemonte, todos no município de Nova Lima. Pode melhorar demais o dia a dia de quem mora em Nova Lima, seus condomínios, Raposos, Rio Acima e toda a região.

Não tem milagre: vão pegar um terreno abandonado, sem dono, invadido, depredado, no meio dos metros quadrados mais caros do Estado, e transformar em alternativa para diminuir em muito o absoluto caos, junto de um novo parque que tem tudo para ser um verdadeiro pulmão no meio do concreto mais sofisticado de Minas. Repito a frase que virou meu mantra e não me deixa enlouquecer diante da falta de soluções: conversando, a gente se entende.

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