O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados adiou, de novo, a análise da representação contra o deputado André Janones (Avante-MG) por suspeita de prática de “rachadinha” em seu gabinete. O mineiro é acusado de cobrar uma parcela do salário de seus assessores para pagamento de dívidas de campanha. As denúncias contêm um áudio atribuído a Janones.
A análise estava marcada para esta terça (28). Contudo, logo no início da sessão, o presidente do colegiado, Leur Lomanto Júnior (União-BA), disse que o relator do caso, deputado Guilherme Boulos (Psol-SP) informou que não chegaria a tempo da votação. A análise ficou para a semana que vem, em prazo “irrevogágel” segundo Lomanto Júnior.
O pedido de cassação foi apresentado pelo Partido Liberal (PL). Boulos já votou pelo arquivamento da representação.
Em defesa, Janones disse que as acusações de “rachadinha” foram feitas com base em um áudio editado e descontextualizado, “não de um parlamentar com seus assessores, mas de um grupo político que visava se fortalecer para disputar eleições”.
STF
Pelas acusações de rachadinha, André Janones também deve se defender no Supremo Tribunal Federal (STF). Em dezembro do ano passado, o ministro Luiz Fux autorizou a abertura de um inquérito para investigar a suposta prática de rachandinha no gabinete do deputado.
Em fevereiro deste ano, Fux autorizou as quebras de sigilos bancário e fiscal de Janones e de outras cinco pessoas envolvidas no caso. O ministro atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou que as apurações prévias sugerem a existência de um esquema de desvio de recursos públicos no gabinete do parlamentar. Para a PF, há inconsistências nos depoimentos dados por funcionários do deputado.
A Polícia Federal suspeita, inclusive, que parte dos valores recolhidos pelo deputado mineiro no suposto esquema possa ter custeado a campanha eleitoral de Leandra Guedes Ferreira à Prefeitura de Ituiutaba, em 2020. Leandra, que é ex-mulher do parlamentar, venceu a disputa em questão.