O encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com representantes do agronegócio brasileiro, realizado na tarde de segunda-feira (28), no Palácio do Planalto, marcou a volta dos irmãos Wesley e Joesley Batista à sede do Poder Executivo em agendas oficiais. A dupla ficou conhecida, para além da administração da JBS – maior empresa de proteína animal do mundo -, pela investigação no âmbito da Lava Jato.
Na tarde de ontem, a reunião que ocorreu na presença do presidente, do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e de outros empresários, teve como objetivo definir a doação de carnes para o Rio Grande do Sul, estado atingido por chuvas e enchentes desde o mês passado.
A participação da dupla marca um processo de reaproximação com a política e os negócios da JBS que começou ainda no ano passado, quando ambos integraram a comitiva presidencial em visita oficial à China, em março. Um ano depois, os nomes de Wesley e Joesley foram apresentados para retornar ao conselho da empresa.
Já em 2024, no mês de abril, Lula visitou uma indústria de processamento de carne da JBS, elogiou os irmãos Joesley e Wesley Batista e pregou contra “a mentira, a maldade e a intriga”.
Denúncia da Lava Jato
Ambos firmaram delação premiada em 2017, após investigação da Lava Jato. Nos depoimentos, que nunca tiveram comprovação, os empresários admitiram o envolvimento do grupo em atos de corrupção e pagamento de propina para campanhas de Lula e Dilma através do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, conseguindo assim facilidade em empréstimos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No ano passado, a 12.ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal absolveu Mantega e o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, das acusações. Segundo a Justiça, as declarações feitas por Joesley foram “genéricas e vazias” e não apresentaram provas das ilicitudes cometidas pelos dois.
Os empresários também estiveram envolvidos na gravação que quase custou o cargo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Joesley chegou a gravar uma conversa com Temer, dentro do Palácio do Alvorada, onde o ex-presidente teria concordado com a tentativa de ‘acalmar’ o ex-deputado Eduardo Cunha. Apesar da investigação, Temer foi absolvido pela Justiça em 2019.