Em novo livro, Neil deGrasse Tyson mostra como ciência pode ser usada para quebrar preconceitos

Conhecido por traduzir conceitos e discussões complexas para a linguagem popular, Neil deGrasse Tyson realiza esse feito mais uma vez em “Mensageiro das Estrelas – Perspectivas Cósmicas Sobre a Civilização” (Editora Record).

Em seu livro mais recente, o astrofísico mais popular do mundo discorre sobre assuntos polêmicos como gênero, raça, cultura alimentar, resolução de conflitos, vida e morte – e, em sua prosa atrativa, trata de todos estes temas complexos sem desconsiderar a individualidade de quem está lendo o livro.

Ele escreve de forma fluída que conduz os leitores a entenderem conceitos complexos. Por exemplo, mostra como antropólogos dos séculos 19 e 20 inventaram que os brancos seriam ‘superiores’ aos negros.

“Ao lançarmos uma hipótese científica, devemos ser os nossos maiores críticos. Uma boa forma de sabatinar nosso trabalho é dar um passo atrás e explorar a possibilidade que uma explicação completamente oposta possa ser construída a partir dos mesmos dados ou de dados que porventura possamos ter desconsiderado. […] Viremos o jogo: se os antropólogos dos século XIX e XX fossem supremacistas negros em vez de supremacistas brancos, o que eles poderiam ter escrito sobre as pessoas brancas após examiná-las?”, provoca o astrofísico.

O que o gato de Schrödinger tem a ver com discussões de gênero e identidade? Tyson mostra que há uma relação possível, e que há plasticidade suficiente nas ciências exatas para que elas possam ser exploradas para auxiliar a humanidade a entender sobre assuntos que podem ser complexos para aqueles que possuem valores maniqueístas.

Tyson é capaz de demonstrar como as relações de raças podem ser construídas e perpetuadas dentro dos locais onde pessoas são mantidas como grupos subalternizados.
Em um trecho, ele relembra como os professores de física apresentavam as cores que representavam resistores de valores diferentes, como em “Pretos Meninos Violentam Lindas Adolescentes Virgens Aonde Violeta Cede Banalmente”. Bastou a presença de um aluno negro, Neil deGrasse Tyson – ele próprio! – na classe do professor em questão para que o macete sobre resistores fosse repensado e transformado em “Perversos Meninos…”. Simples assim.

Muito mais do que pensar nas relações raciais, Tyson demonstra que para qualquer dilema da civilização contemporânea, há uma fórmula física ou matemática que pode ser utilizada para ajudar a compreensão humana a estabelecer uma lógica e que há, sim, como chegar a um entendimento.

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