A repercussão nacional do caso envolvendo um
homem de 35 anos, absolvido da acusação de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos
presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Luiz Carlos Corrêa Junior
A primeira reunião ocorre nesta segunda-feira (23), às 18h, com a deputada estadual
Bella Gonçalves
Nikolas Ferreira
Mateus Simões
Entenda o Caso
O assunto ganhou visibilidade na última sexta-feira (20). Um homem de 35 anos, que mantinha um relacionamento com uma criança de 12 anos no interior de Minas, e a mãe da vítima, que consentia com a união, foram absolvidos em uma decisão por maioria (dois votos a um).
Os magistrados entenderam que o réu e a vítima possuíam um “vínculo afetivo consensual”. Com esse entendimento, o acórdão derrubou a sentença de primeira instância que havia condenado o homem e a mãe da criança.
O réu absolvido pela 9ª Câmara Criminal Especializada possui antecedentes criminais por homicídio e tráfico de drogas. Ele havia sido preso em flagrante no dia 8 de abril de 2024, quando foi encontrado com a vítima; na ocasião, ambos faziam uso de entorpecentes. Na delegacia, o homem admitiu manter relações sexuais com a menor, e a mãe confirmou ter autorizado o “namoro”.
Histórico Jurídico
O
Ministério Público de Minas Gerais
Em novembro de 2025, ambos foram condenados pela 1ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Araguari a nove anos e quatro meses de prisão. A defesa recorreu, e o recurso foi analisado em segunda instância pelo TJMG neste mês.
Fundamentação do Voto
Ao relatar o caso, o
desembargador Magid Nauef Láuar
O voto do relator foi acompanhado pelo desembargador
Walner Barbosa Milward de Azevedo
Reações em Brasília
A decisão provocou indignação entre políticos de diversas vertentes e órgãos do governo federal:
- Denúncia Internacional: A deputada federal
(PDT-MG) anunciou que protocolará uma denúncia contra o Estado brasileiro na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, criticando a “relativização do estupro de vulnerável”.
Duda Salabert - Ação no CNJ: A deputada
(PSOL-SP) acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a decisão do TJMG.
Erika Hilton - Governo Federal: Em nota conjunta, os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e das Mulheres (MMulheres) ressaltaram que, quando os mecanismos de proteção à infância falham em assegurar a proteção integral prevista na Constituição, cabe a intervenção do Estado, da sociedade e dos Três Poderes.