O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça (18) uma revisão nos limites dos biomas Cerrado e Mata Atlântica entre os estados de Minas Gerais e São Paulo. Com isso, o município de Sete Lagoas, antes classificado pelo órgão integralmente dentro do Cerrado, agora tem áreas de Mata Atlântica ao sul do município e na Serra de Santa Helena.
Confira o que muda na região de Sete Lagoas e entorno:

Motivos da revisão
A alteração do limite se deu nas áreas de contato entre os dois biomas, a partir da avaliação de critério técnicos, e não por questões de redução ou ampliação da área devido a possíveis desmatamentos ou reflorestamentos.
Em 2019, o IBGE lançou uma publicação chamada “Biomas e Sistema Costeiro Marinho do Brasil” compatível com a escala de 1 para 250.000, que é 20 vezes maior que a anterior de 1 para 5.000.000. A partir disso, começou a ser trabalhada uma revisão das áreas dos biomas, resultado de uma análise integrada de especialistas em diversos temas, além de cinco expedições de campo em áreas especificamente demandadas e questionadas por organizações da sociedade civil e por instituições de governo da esfera ambiental.
“O grande diferencial desse produto é que ele já tem uma proposta totalmente integrada dos quatro temas que a gente trabalha no IBGE, que são geologia, geomorfologia, pedologia e vegetação, além de nós nos basearmos em dados climáticos também, e utilizarmos técnicas avançadas, como modelos de digitais de elevação, por exemplo”, explica Luciana Mara Temponi de Oliveira, chefe de setor do Meio Biótico.
“Essas revisões são um compromisso para o IBGE. No lançamento de 2019, deixamos aberto à comunidade de que contribuições eram bem-vindas e começamos a receber algumas”, explicou Luciana.
Segundo o IBGE, a revisão deverá ser recorrente. “A gente tem a ideia dos produtos Biomas e Sistema Costeiro Marinho serem revisados a cada 5 anos”, explicou André Pelech, gerente de Mapeamento de Recursos Naturais.
A revisão em Minas Gerais
No contexto do estado de Minas Gerais, a área do Bioma Mata Atlântica foi ampliada nas proximidades de Belo Horizonte, englobando agora todo esse município e áreas ao norte da capital mineira. Já o Cerrado foi ampliado, principalmente no centro-norte de São Paulo, estado que possui lei de proteção para este bioma desde 2009.
Durante as expedições de campo, uma delas abrangeu o centro-leste de Minas Gerais, em áreas do Quadrilátero Ferrífero, da Serra do Espinhaço e da Depressão do São Francisco. De maneira geral, constatou-se que as florestas ocupam as áreas mais dissecadas e menos elevadas, enquanto os Refúgios Vegetacionais se concentram nas altitudes mais elevadas da paisagem. Na região da Serra do Espinhaço, o domínio dos Refúgios Vegetacionais foi incorporado ao Bioma Cerrado. No entorno da Região Metropolitana de Belo Horizonte, muitos fatores abióticos auxiliaram na delimitação dos biomas. A Mata Atlântica estendeu-se para o noroeste de Belo Horizonte, orientada pelo domínio florestal e umidade sobre os Patamares de Belo Horizonte. A Serra de Santa Helena, que está sob domínio da Floresta Estacional Semidecidual, por continuidade, também passa a fazer parte desse novo limite.
Mudanças a nível nacional
Houve um acréscimo de 1,8% no Cerrado e uma redução de 1,0% na Mata Atlântica. A área com alteração dos limites representou aproximadamente 19.869 km² do território brasileiro, sendo 816 km² em Minas Gerais e 19.053 km² em São Paulo. Outros biomas não foram avaliados dessa vez.
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Com IBGE