Imagens obtidas pela Itatiaia junto ao Corpo de Bombeiros de Minas Gerais mostram como estão sendo realizadas as buscas em meio à lama da Vale, em Brumadinho.
Três das 270 vítimas ainda não foram identificadas e estão sendo procuradas pelos militares. Esta é a 8ª estratégia dos militares e se chama estação de busca mecanizada.
O maquinário, operado por civis, é da mineradora Vale e foi solicitado pelos militares para agilizar o trabalho de buscas. Entenda como funciona a estratégia dos bombeiros.
Passo a passo:
1 – Caminhões carregam os rejeitos de minério até as proximidades do maquinário.
2 – Tratores, operados por civis, pegam o material e despejam em um compartimento de um sistema de esteiras.
3 – Os rejeitos passam por um processo de peneira.
4 – Os Bombeiros ficam em uma cabine com vista privilegiada para as esteiras.
5 – Caso algum suposto fragmento seja identificado nas esteiras, os Bombeiros acionam um botão e param o equipamento imediatamente.
6 – Com segurança, os militares acessam a esteira e recolhem o que pode ser um segmento corpóreo.
7 – A Polícia Civil é acionada e dá início ao processo de análise no Instituto Médico Legal (IML).
8 – Caso seja identificada uma nova vítima, as autoridades competentes acionam os familiares.
Informações sobre os trabalhos dos Bombeiros
– No próximo dia 25, data em que a tragédia completa cinco anos, as buscas vão completar 1827 dias.
– Os bombeiros só interromperam as buscas em um curto período durante a pandemia.
– Os bombeiros já encontraram 267 vítimas. Três permanecem desaparecidas.
– 8 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério já foram vistoriados (75% de todo rejeito que vazou da estrutura).
– Os militares acreditam que as últimas três vítimas estejam em uma área de 3 milhões de metros cúbicos.
Sem prazo final
Os bombeiros afirmam que não há um prazo para que as buscas sejam concluídas
Atualmente, os militares estão na 8ª estratégia de busca. Nessa fase, os rejeitos são separados em estações e o processo passou a ser mecanizado. No local, não existe mais lama e os rejeitos estão em estado sólido, bem diferente do cenário do dia 25 de janeiro de 2019, quando a barragem da Vale se rompeu, atingindo um refeitório onde dezenas de pessoas almoçavam, além de uma pousada e outras estruturas que estavam na parte de baixo da barragem.
“Em um primeiro momento, o terreno era uma lama, o que dificultava. Os bombeiros estavam, literalmente, mergulhados. A partir do momento em que o terreno possibilitou condições melhores, nós introduzimos cães, máquinas, aeronaves, percorremos essas buscas por uma estratégia em uma área mais superficial, depois em uma área mais profunda… Atualmente, estamos em uma fase de mecanização das buscas, onde o rejeito é passado em um volume maior e a gente consegue fazer essa procura de uma forma mais assertiva”, relata o coronel Moisés Magalhães. Ele diz ter esperança de encontrar as últimas três vítimas do desastre na área restante.
“Temos um trabalho muito forte de inteligência para que a gente consiga encontrar as três joias nesse local restante”, confirma.
O militar detalhou o trabalho de busca mecanizado. Uma das ferramentas primordiais neste processo é uma esteira, que tem ajudado a peneirar os rejeitos de minério. Em caso de qualquer indício de fragmentos do corpo de uma vítima, o equipamento é paralisado imediatamente e os segmentos são encaminhados para Polícia Civil.
“São estações de busca, onde esse rejeito é passado por um processo de peneiramento e ficam bombeiros diuturnamente observando. Então, todo segmento, todo material de interesse, automaticamente, é separado e encaminhado para a perícia”, afirmou. Atualmente, 17 bombeiros estão dedicados, diariamente, neste processo.
O rompimento da barragem do Córrego do Feijão matou 270 pessoas, sendo que duas mulheres estavam grávidas. Os rejeitos de minério destruíram o restaurante da Vale e parte da comunidade do Córrego do Feijão. A lama causou impactos socioambientais ao longo da bacia do Rio Paraopeba.
O colapso vai completar cinco anos no dia 25 deste mês. Até hoje, ninguém foi preso por responsabilidade na tragédia.
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