Pedagoga explica situação de alunas que foram alvo de nudes com IA: ‘Violência’

As alunas do Colégio Santa Maria Minas (Unidade Floresta) que foram alvos de
deepfakes
de outros alunos sofreram “grave violação de direitos, uma agressão direta à dignidade, à liberdade e ao direito de serem respeitadas e protegidas” e podem gerar grandes impactos às vítimas, conforme explicou Josefina Baetens, pedagoga e doutora em Educação, à Itatiaia.

Um
grupo de meninas estudantes da escola denunciaram
, na terça-feira (3), o caso. Segundo elas, os garotos
pegavam fotos em redes sociais e jogavam em ferramentas de inteligência artificial para criarem imagens delas nuas
.

Estudantes do 3º ano do Ensino Médio do colégio chegaram a até mesmo publicar uma nota que repudiava as ações e dizia que as alunas eram coagidas e feitas de chacota por meninos na escola.

Para a profissional, é “absolutamente compreensível” que as meninas estejam abaladas, inseguras, envergonhadas, tristes ou até mesmo com dificuldades na escola e no convívio social. “A dor que sentem é legítima, e os impactos emocionais, sociais e até acadêmicos são reais e precisam ser reconhecidos e acolhidos”, afirmou.

“Esse tipo de violência não atinge apenas a imagem, mas também o emocional, a autoestima e o equilíbrio de quem sofre. Pode gerar medo de frequentar ambientes, de interagir com colegas, além de afetar diretamente o desenvolvimento de atividades, a confiança e o próprio desempenho pessoal e educacional”, explicou.

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Preocupação nas escolas

Para Josefina, “casos de alunos que produzem e compartilham imagens íntimas de colegas têm se tornado uma realidade preocupante nas escolas” e esse comportamento é resultado de diversos fatores, como falta de educação digital, emocional e sexual, além de machismo e hipersexualização.

“Impulsionados pela busca por aceitação social, popularidade ou até pela pressão dos grupos, acabam ultrapassando limites éticos e legais, sem compreender plenamente o impacto devastador que isso pode causar na vida das vítimas”, explicou.

O fácil acesso às diferentes tecnologias e a falta de diálogos francos sobre responsabilidade no ambiente digital promovem este tipo de ação. A cultura de objetificação dos corpos femininos também reforça práticas como essa.

“Quando a escola e a família não oferecem espaços seguros para discutir temas como respeito, consentimento e privacidade, os jovens ficam mais vulneráveis a reproduzir comportamentos nocivos que veem nas redes sociais, na mídia e até em ambientes presenciais”, disse.

Sanções legais

De acordo com a pedagoga, a ação desses garotos fere diversas legislações do Código Penal, podendo render aos adolescentes algumas medidas socioeducativas.

Há, ainda, consequências que podem ser aplicadas no âmbito social e educacional, como “sanções disciplinares, suspensão, advertências formais e participação obrigatória em programas de conscientização sobre violência de gênero, cyberbullying, respeito aos direitos humanos e empatia”.

Educação e uso consciente das tecnologias

Por fim, para a pedagoga, é urgente que as escolas, assim como as famílias e toda a sociedade, “assumam a responsabilidade de educar crianças e adolescentes sobre ética, empatia, respeito e uso consciente das tecnologias”.

“É fundamental implementar programas permanentes de educação digital, emocional e sexual, que promovam não apenas o conhecimento sobre os riscos, mas também a construção de uma cultura de cuidado, de proteção e de valorização do outro. Somente com diálogo, informação e ação conjunta será possível transformar essa realidade e proteger os jovens de uma geração que cresce imersa no mundo digital, mas que ainda precisa aprender, de forma muito concreta, o que significa ser humano, ser responsável e, acima de tudo, ser respeitoso”, concluiu.

O que diz o Colégio Santa Maria?

Em nota sobre o caso, a escola informou que desenvolve sistematicamente atividades educativas voltadas ao uso ético e responsável da tecnologia. Além disso, esclareceu que já tomou as seguinte medidas pedagógicas e juridicas:

1 – Acolhida e escuta das vítimas e de seus familiares.
2 – Convocação e escuta do suposto autor e seus familiares.
3 – Aplicação de medidas disciplinares conforme o Regimento da Instituição.
4 – Intensificação de atividades formativas nas turmas do ensino médio sobre bullying e suas consequências jurídicas.
5 – O Conselho Tutelar, Ministério Público e Delegacia de Crimes Cibernéticos serão comunicados sobre o ocorrido.

A Itatiaia voltou a procurar a escola sobre o fato dos alunos serem reincidentes na conduta e sobre outras denúncias feitas pelo pai, mas até o momento dessa reportagem a escola não se pronunciou sobre o assunto.

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