Alexandre Edward, filho de Ivan Bezerra da Silva, um dos torcedores feridos após a
queda de uma estrutura metálica nas arquibancadas do Morumbis
São Paulo
Copa Libertadores
Em vídeo gravado na noite anterior, ele detalhou o drama vivido no estádio e nos dias seguintes ao acidente que deixou seu pai em estado grave e seu irmão com traumatismo craniano.
“Eu só entrei em campo porque ninguém estava ajudando meu pai. Eu vi que ele não estava respondendo, estava desacordado, sangrando muito. Ninguém fazia nada”, explicou Alexandre, justificando sua invasão a campo após o ocorrido.
Comemoração virou tragédia
O acidente aconteceu no momento do gol do São Paulo, no segundo tempo. Alexandre conta que levou o irmão mais novo, torcedor fanático do clube, ao jogo como presente de aniversário. Durante a comemoração do gol, uma chapa de aço se desprendeu da estrutura superior do estádio e atingiu o pai e o irmão de Alexandre em cheio.
“Estávamos nos abraçando, quando soltamos o abraço, naquele exato momento, a chapa caiu. Pegou meu pai em cheio e acertou meu irmão. Eu só levei um leve arranhão, mas vi meu pai desmaiar na hora”, detalhou.
Segundo ele, houve demora no socorro por parte da organização do evento e dos profissionais de saúde presentes no estádio. Sem ver outra alternativa, Alexandre invadiu o campo em busca de ajuda.
“Manchei meu rosto com o sangue do meu pai para chamar a atenção. Fui direto nos seguranças e gritei por socorro. Eles diziam que a ambulância estava vindo, mas ela só apareceu depois que o jogo acabou.”
Atendimento médico foi questionado
Após serem socorridos, os feridos foram levados ao Hospital do Campo Limpo. Alexandre critica o protocolo adotado pela unidade, principalmente com relação ao irmão, que, segundo ele, sangrava muito e mesmo assim precisou passar por triagem e esperou mais de 30 minutos por atendimento. O pai, em estado mais grave, foi intubado logo após dar entrada.
“O médico liberou meu irmão dizendo que se ele sentisse algo nas próximas 12 horas, era só voltar. Nem raio-x fizeram. Só quando fomos transferidos para o Albert Einstein é que os exames mostraram o traumatismo craniano”, explicou.
No hospital particular, Ivan passou por cirurgia na quinta-feira seguinte ao acidente. O irmão teve o crânio levemente fraturado. Já Ivan sofreu uma pancada ainda mais grave, com afundamento ósseo e broncoaspiração, o que comprometeu um dos pulmões.
“O crânio do meu pai meio que esfarelou. Mas, graças a Deus, a cirurgia foi bem-sucedida. Ele já foi extubado, está consciente e tentando se comunicar, apesar das dores e da pressão alta”, informou.
Apoio do São Paulo e indignação
O clube paulista, segundo Alexandre, arcou com as despesas médicas, hospedagem em um imóvel alugado próximo ao hospital e transporte da família. No entanto, ele lamenta a falta de atenção inicial e a ausência de visitas prometidas por representantes da diretoria.
“Disseram que alguém iria levar uma camisa para o meu irmão, que é são-paulino roxo, mas até agora não apareceu ninguém. Não é prioridade, claro, mas seria um gesto simbólico.”
Apesar do trauma, Alexandre agradeceu as manifestações de apoio e explicou que sua exposição nas redes teve um único objetivo: conseguir socorro.
“Não sou de falar muito, sou reservado. Mas entrei no campo, fiz vídeo, discuti com recepcionista, com médico… Tudo para salvar meu pai e meu irmão. Agora que a ajuda chegou, pretendo parar de expor nossa família. Só vou seguir atualizando o estado do meu pai, porque muita gente tem perguntado”, explicou.
Situação de saúde atual
Ivan segue internado, consciente, mas com dores de cabeça e episódios de ansiedade. Os médicos mantêm sedativos para controlar a pressão e o quadro emocional. O irmão de Alexandre já recebeu alta e se recupera ao lado da família.
“A recuperação do meu pai tem sido surpreendente. Diante da gravidade do que aconteceu, é um verdadeiro milagre”, encerra Alexandre.